Resposta: ”Como a cultura progressista está destruindo as legítimas aspirações das mulheres”

Quantas vezes nos deparamos com indivíduos que costumam frequentar os debates políticos induzindo a ideia errônea que progressismo é de esquerda?

Por ignorância ou para se aproveitar da ignorância dos outros, eles manipulam as palavras e induzem uma ligação única e direta entre progressismo e esquerda, enquanto fazem a mesma coisa com a esquerda e pós-modernismo, dando a entender que toda a esquerda é pós-moderna. Um grande equívoco, de fato.

Mas não existe equivalência entre os termos.Os progressistas assim como conservadores, podem ser tanto de direita quanto de esquerda. Inclusive, hoje em dia, direita e esquerda são termos que acabam ficando obsoletos em meio a uma enorme confusão política.

O fato de de um indivíduo defender questões envolvendo o público LGBT, feminista ou até mesmo o movimento do amor livre, não quer dizer que seja necessariamente de esquerda. É como se compartilhar esse credo fosse uma premissa básica de qualquer um – independente do que defende como solução – ser de esquerda. Isso é de uma enorme ignorância, visto que o mesmo pode compreender a atual situação sócio-econômica-politica de onde vive e defender liberdades individuais das ditas minorias, sem precisar submeter-se ao poder estatal como solução.

Digo isso pois em um texto da Catarina Rochamonte publicado pelo Instituto Mises do Brasil, ela dá inicio a uma enorme crítica a respeito de determinados nichos da esquerda no qual ela vende a ideia de que são progressistas. Assim fazendo o leitor comum linkar esquerda com progressismo com pós-modernismo e o autoritarismo tacanho de alguns movimentos. Uma enorme e verdadeira generalização. Mas ela esta equivocada em vários aspectos do seu texto e aqui vou destrincha-los.

De certo que a esquerda domina o território político no Brasil. Isso não quer dizer que o progressismo ou os movimentos socialistas progressistas – como ela definiu – domine a cultura no Brasil. Nossa cultura ainda tem moldes dos séculos anteriores. Que por vezes, desrespeita a propriedade, a diversidade e decisões individuais.

Vivemos em um país majoritariamente religioso e cristão. E isso interfere diretamente na nossa cultura, consequentemente na política e na vida de cada cidadão que reside no Brasil. Não é difícil vermos situações que demonstram claramente a dificuldade do povo de lidar com o diferente a ele. A dificuldade em respeitar a diversidade e o direito à liberdade e propriedade dos indivíduos.

O que ocorre no âmbito político está muito mais além de uma analise superficial e totalmente parcial abordada no texto. Vivemos em um obscurantismo político que molda uma sociedade ignorante e cega ideologicamente. Um povo que se deixa envolver e cegar-se aos seus lideres religiosos e políticos. Um povo que vê juízes, pastores e políticos como heróis e mártir. E este é o maior problema. E com isso nos deparamos com ambos os lados de uma mesma moeda buscando de forma autoritária poder sobre os outros: tanto nichos progressistas quanto nichos conservadores.

 

 …e um deles consiste em centrar esforços na construção de um discurso afirmativo e glorificante em relação a todo e qualquer desvio da sexualidade normal, inclusive problematizando, por meio da criação de neologismos, a existência dessa normalidade.”

Assim ela dá início a sua critica ao que acredita ser heteronormatividade. Desnecessário dizer o quão absurdo é a colocação da palavra natural nesse discurso pra lá de enviesado e retrogrado. Mas parece que muitos, hoje em dia, se apoiam em uma suposta naturalidade para induzir o que deve ser aceito.

Apesar de não ter costume de usar o termo ‘heteronormatividade’ sei que o que a autora expõe esta longe do que realmente é o significado. Tal termo é referente a imposição cultural de que todos os indivíduos devam ser heterossexuais. Ou seja, é um termo muito usado para definir que orientações sexuais diferentes são marginalizadas e perseguidas socialmente.

Então quando você designa que a heterossexualidade é a orientação sexual normal e natural ou uma regra, significa que você marginaliza as outras orientações e muito desse pensamento fomenta preconceito. Como por exemplo, dizer que outros indivíduos na sociedade que não são heterossexuais são anormais ou aberrações. E isto é um enorme engodo em grande escala. A homossexualidade ou bissexualidade é tão natural quanto a heterossexualidade e em outras culturas e em outros tempos. Tempos que era vista, inclusive, como normal na sociedade.

Quando você define o que é normal e anormal sobre a orientação sexual de um indivíduo – e vale ressaltar de forma completamente errada – você estará sim o desrespeitando. Pois estará fazendo juízo de valor sobre a vida intima sexual do mesmo. Vida essa que não lhe diz respeito.

Eu compreendo e respaldo a crítica sobre o uso de palavras escritas de forma errada, como é o exemplo de termina-las com ‘’x’’, ‘’e’’ ou ‘’@’’. Mas infelizmente isso é apenas um equívoco proveniente do pós-modernismo que vem para dificultar diálogos entre indivíduos na sociedade. Talvez esse seja o único ponto no qual concordo com este artigo.

Em alguns momentos fica claro a intenção de respaldar suas criticas em sua moral religiosa, citando inclusive frases de Sócrates ao fazer uma dança de palavras, teorias e doutrinas. Para no final querer vender a ideia de que quem não concordar com sua moral, na verdade se revolta com a natureza dentre outras coisas. Mas ao contrário do que tenta convencer o leitor, o materialismo não é uma doutrina exclusiva a um nicho político e a crença por uma alma espiritual tão pouco.

‘’ Materialistas não acreditam em valores eternos. Consequentemente, pensam ser possível criar e impor valores e verdades por meio do discurso e da prática social.’’

O que são valores eternos? No conceito da autora, certamente estão relacionados a sua espiritualidade. Mas afinal, como criticar os tais esquerdistas por querer impor seus valores quando tenta fazer o mesmo?

O fato é que moralidade é relativo, mutável e diferente em cada nicho. Divididos por territórios, cultura ou religião ela se molda dentro do útero de sua comunidade. O que é imoral para um judeu, não é para um católico. O que é imoral para um católico, não é para um ateu e assim sucessivamente. Além das diferenças culturais em um país extremamente rico culturalmente.

Então quando se questiona o que é certo e o que é errado com relação a política é imprescindível nos basearmos em direito de propriedade e ética, e deixarmos o debate moral para um momento mais filosófico e/ou pessoal. Mas jamais deverá ser base para um discurso que envolva toda uma sociedade.

 

 Mulheres e feminismo
‘’As pautas do feminismo atual são as pautas da esquerda progressista, e esse movimento tende a querer impor de cima para baixo leis que, em vez de limitar o poder — que o nós liberais, libertários ou conservadores defendemos —, querem exatamente ampliá-lo. Pior: querem fazê-lo incidir sobre nossas relações interpessoais e quotidianas.’’

As combinações equivocadas de palavras podem gerar armadilhas. Tais armadilhas induzem o leitor a crer em algo que nem sempre é real. Concordo que pautas do feminismo mainstream querem impor leis e limitar o que é ser mulher. Não que o seu oponente não queira também.

Em meio a uma guerra de foices, as mulheres são diariamente tolhidas e limitadas em uma visão do que é o ideal feminino de ambos os lados. Nossa sociedade não sabe respeitar o diferente, principalmente quando o assunto envolve questões femininas. Seja no métier feminista ou nos conservadores, ambos de alguma forma tentam impor ações e escolha sobre as mulheres, incidindo – inclusive – em suas relações pessoais e sua liberdade.

Deve acautelar-se quando crítica uma postura de indivíduos que discorda, pois tal postura pode estar sendo usada por si mesmo. Em forma popular: Cuidado ao apontar o dedo para o outro, enquanto tem três dedos apontados para você.

O desejo de impor sua moral, seus dogmas e sua doutrina não esta restrito a um exclusivo nicho na sociedade. Nossa sociedade está doente e cega. a população guerreia entre os seus para impor o que acredita sem intenção clara de dialogo e de produzir e ignorando a defesa da liberdade.

Sendo eu uma crítica ferrenha do paternalismo estatal, repudio qualquer interação do Estado em tentar ‘’solucionar’’ questões do âmbito feminino e social. Assim como repudio a distorção existente sobre assédio e cantada. Mas jamais deixaria de notar o absurdo que é tal parágrafo a seguir.

 

‘’ As feministas de hoje se dedicam a problematizar os elogios e descontos que recebem em casas de show, as propagandas das quais participam, e os brinquedos infantis que as lojas oferecem às suas filhas. E, ao mesmo tempo em que problematizam até o (raro) comportamento cavalheiresco do homem, atribuem à “sociedade” e à sua suposta “cultura machista” a culpa por um crime repulsivo como o estupro, o qual é de responsabilidade inteiramente individual, desta forma lançando sobre todos os homens uma culpa hipotética.’’ 

No inicio do séc.XX mulheres alcançaram o direito de usar calças. Antigamente, muitos viam isso como uma bobagem. Que absurdo essas mulheres reclamando por não poderem usar calças, quem elas pensam que são? Hoje em dia, este mesmo tipo de pessoa reclama de outras pautas levantadas, pautas que envolvem liberdades individuais e de escolha.

Particularmente eu não tenho problema com elogios, descontos e homens pagarem um jantar ou me presentearem. Eu me revolto com assédio e tenho problema com tudo que é defendido que diminui a mulher por ser mulher e induz o que ela deve ser, como agir e o que ser de acordo com seu gênero.

Os brinquedos – apesar de parecer uma pauta banal para alguns – é para mim algo que devemos debater. Impõe padrões e cores de acordo com o sexo doutrinando assim crianças a seguir um determinado padrão pré-estabelecido socialmente e culturalmente. Limitando seus interesses e inclusive sua criatividade.

Outra questão abordada é a cultura machista. Tal cultura fomenta muitas ações e pensamentos que implicam o poder masculino sobre o individuo feminino, e isso alimenta estupros e violência domestica dentre outros.

O fato de ser responsabilidade individual não abona que exista uma cultura que fomenta tal ação. Estupro marital é um exemplo disto. O homem casado com sua esposa crê que ela tem obrigações sexuais com ele quando ele quiser. Deixa de ser uma responsabilidade individual? Não! Deixa de ser uma ideia concebida de uma superioridade masculina dentro do matrimonio? Também não!

Entender que a cultura por vezes fomenta tais atitudes não é tirar a culpa do individuo e colocar na sociedade. Todos nós temos responsabilidades pelos nossos atos, mas devemos entender que por mais que sejamos responsáveis e que não existe desculpa para tais atos supracitados, existe uma motivação e muitas vezes tal motivação é alimentada pela cultura local e pelo sexismo(machismo).

É importante entender isso para solucionar problemas recorrentes hoje em dia, que ferem a auto-propriedade, auto-determinação e liberdade do indivíduo, no caso, das mulheres.

A incessante tentativa de naturalizar ações que ferem e/ou ofendem outras pessoas me incomoda. Não é um posicionamento racional de um indivíduo que se predispõe a escrever um artigo teoricamente político. Entendo e defendo que todos os indivíduos tem direito a sua liberdade de expressão, mas isso não quer dizer que devemos nos silenciar diante de discursos preconceituosos que fomentam uma cultura propícia para tirania e autoritarismo de uma parte da sociedade sobre a outra.

Apesar de ter enormes críticas a teoria feminista coletivista e suas vertentes, não posso deixar de indicar o erro crasso de achar que de forma geral, feministas coletivistas defendem que a solução para tais crimes seja policiar e patrulhar a fala e não criminalizar o ato em si e punir o perpetrante.

E discordo que pautas feministas são deslocadas da realidade. Evidente que vejo muito exagero, soluções absurdas e que não irão funcionar. Erros claros de posicionamento político e partidarismo. Mas por maior erro em suas escolhas ainda sim estão na realidade. O assédio é real, a intimidação é real, a castração de liberdade é real, o estupro é real…E até mesmo a disparidade salarial é real.

Novamente, a autora do texto no qual esboço essa crítica, tenta com armadilhas induzir que os movimentos sociais progressistas deslocam a realidade e manipulam a linguagem. Não discordo que exista de fato nichos no meio de movimentos políticos – independente do lado – que têm a tendência de querer vender uma realidade fantasiosa e que manipulam a linguagem. Um exemplo claro disso é o próprio texto que insiste ao longo de sua escrita induzir o leitor a ter ojeriza pelo termo progressista, levando-o a crer que pautas das ditas minorias são sempre anti-naturais e que o correto é o conservadorismo moral que a autora tenta por vezes maquiar entre suas palavras e citações.

O fato é que nossa sociedade, os grupos políticos e os ativistas estão tão cegos e tão ávidos por reforçarem o que defendem e impor isso aos seus pares e aos outros, que não notam que são semelhantes. Existem nichos de indivíduos autoritários que tentam impor sua vontade, que usam armadilhas teóricas, que tentam apresentar uma intelectualidade e sapiência que por vezes não as tem, que manipulam linguagem, fatos, noticias para convencer e doutrinar. E com isso impor sua opinião e forma de vida sobre os outros.

Outrora a autora mostra seu desdém a questão cultural, colocando inclusive em aspas e negando a existência de uma cultura sexista (machista). Mas em contraponto ela defende que mulheres lutem contra as injustiças. Em outro momento é contra a existência de grupos por livre associação que realizam essa tarefa, quando esses são progressistas e discordam de suas ideias.

Tudo leva a crer que a autora tem uma tendência de críticar algo que sabe ou acredita mas que exista necessidade de distorcer pois seu real foco é vender um texto anti-feminista. Por vezes existe a omissão dos aspectos da verdade conhecida.

Não jogamos xadrez político. Estamos de fato em uma espécie de batalha naval. Sempre em busca da guerra e destruição. Mesmo assim, liberais, conservadores e libertários, criticam justamente as ideias de Marx, mas no final mostram a face do mesmo autoritarismo e desejo de guerrear inclusive com inverdades e distorções, afim de impor sua opinião sobre os outros.

Política e “empoderamento” feminino

‘’ A condição de ser mulher é totalmente compatível com a possibilidade de aprimoramento próprio, de engrandecimento intelectual, moral, espiritual. Isso não significa que não se constate as particularidades e dificuldades da condição feminina, mas, em muitos aspectos, seria possível ver as dificuldades sob um prisma positivo. Se levarmos em conta que uma das maiores realizações do ser humano está na sua capacidade de servir, na doação de si, no auto-sacrifício, então a mulher encontra na maternidade a grande oportunidade desse exercício e nisso leva vantagem em relação ao homem, pois a natureza lhe favoreceu sobremaneira nesse caminho, proporcionando-lhe essa experiência que é natural e ao mesmo tempo supranatural pela sua grandeza potencial.’’

Apesar de desejar muito a maternidade e ter sentimento maternal, inclusive com minhas amizades, eu discordo que a maternidade seja uma vantagem em relação ao homem, ou que deveria ser visto como um favorecimento. Tal questão envolveu por séculos os maiores problemas e barreiras das mulheres. Desde a liberdade sexual até violência obstétrica. E obviamente a maternidade não está em servir ou doar, não para todas as mulheres. Mas certamente envolve auto-sacrifício, tanto durante a gravidez quanto após o nascimento. Romantizar a maternidade não fará dela um belo jardim de flores cheirosas em um dia ensolarado.

Nem toda mulher se sente realizada com a maternidade e aqui vai uma crítica direta tanto as que creem nisso quanto as que acham que a realização da mulher está no ramo profissional.

Cada mulher é um indivíduo autônomo e com isso tem características, sentimentos e desejos distintos. Mulheres podem se sentir realizadas sendo donas de casa e outras sendo uma grande profissional de sua área. Mulheres podem se sentir realizadas sendo mães e outras sentir-se realizada não sendo. Não existe uma formula, uma caixa ou um molde de como uma mulher deve ser e ter sua vida para se sentir realizada. Ao condicionar a realização feminina à maternidade, delimita o ser mulher, o indivíduo autônomo.

Reconheço que na civilização ocidental muitas mulheres são livres e conquistaram lugares antes ocupados exclusivamente por homens. Mas reduzir as mulheres a um coletivo induzindo que todas chegaram ao mesmo nível e tem as mesmas opções é o mesmo julgamento realizado por feministas coletivistas que querem dizer o que falta e o que não falta na vida de todas as mulheres.

No nosso país existe uma infinidade de mulheres distintas, com características diferentes, vivências diferente e que muitas alçaram grandes conquistas e outras são subjugadas em seus casamentos e no seu núcleo familiar e religioso, impondo a elas uma subserviência que lhe castra suas liberdades. Essas mulheres, em geral da periferia e zona rural e de maioria de países subdesenvolvidos, são negligenciadas e esquecidas quando a autora reafirma as conquistas das mulheres.

É imprescindível aprender a não ser coletivista em seus pensamentos. O que você crê não servir para ti não quer dizer que não sirva para outras pessoas. Não é por eu não ter interesse em passar por um procedimento doloroso como o aborto, que eu vou achar que minha vontade sobre minha propriedade deve ser soberana sobre a vida de outras mulheres. Sendo assim, jamais cometeria o erro de falar por outras mulheres ou definir o que serve ou não.

Eu sou uma feminista, libertária e vanguardista. Eu defendo que cada mulher decida sobre sua auto-propriedade e apesar de defender que o aborto seja descriminalizado eu não tenho intenção nenhuma de me submeter ao procedimento. Não tenho intenção, mas não por uma questão religiosa e sim por uma questão emocional, maternal e pessoal.

Isso sim é apresso a liberdade. A sua liberdade de ter respeitado o seu direito à auto-propriedade e auto-determinação. A sua liberdade de decidir se quer ou não arcar com a responsabilidade de trazer ao mundo um ser humano e cuidar dele para que se torne uma criança feliz e um adulto capaz. Ou não trazer. Mas entender que isso deve ser uma decisão única sua e que nem eu, outras mulheres ou o Estado deve intervir nisso. Isso é defender a liberdade.

O empoderamento feminino é sobre liberdade individual, liberdade de escolher, direito a sua propriedade e sua vida. É dar-se o poder sobre si. O que poderia ser errado em defender que mulheres sejam livres para decidir sobre sua propriedade e vida? Isso é a recusa da moralidade, da ordem, da tradição ou das instituições? Evidente que não. Até por que moralidade e tradições são pessoais e individuais e não deve ser escolhida uma tradição e aplicada na vida de todas as mulheres. Cada mulher tem o direito de crer e seguir o que achar conveniente e que te contemple.

Nós, defensores da liberdade, não devemos limitar indivíduos de acordo com o que acreditamos moralmente e/ou espiritualmente. Nem sempre nossa régua servirá para medir a vida de outro indivíduo. É imprescindível respeitar a diversidade e o direito de cada um decidir por si só. Caso contrario, será uma enorme contradição.

 

Homem e mulher e Conclusão

Não existe no meio político a tarefa da mulher e a tarefa do homem. Ambos são indivíduos igualmente capazes de realizar tarefas iguais. Segregar tarefas – seja em qual âmbito for – por gênero nada mais é uma ação coletivista e sexista.

A mulher que tem interesse em ingressar na política, deve compreender que ainda existe uma batalha para que seja respeitada pelo indivíduo que é. Exigir ser tratada e vista como indivíduo e não como mulher.

Tantos anos lendo os liberais e libertários do Brasil e vendo seu víeis extremamente conservador, me fizeram ficar anestesiada. Mas ainda sim não me tira a capacidade de me surpreender, nem que seja um pouco, quando vejo pessoas usando o manto da liberdade para empregar um discurso tão segregador, coletivista e autoritário.

Quando defende liberdade individual entende que pessoas são únicas e autônomas e que elas tem direito de decidir sobre si. Entende que o indivíduo é a menor minoria, e sendo assim cada um tem sua particularidade e sua vivência. Tal particularidade que não se restringe ao sexo ou gênero do indivíduo. E que apesar das diferenças biológicas claras, ainda sim são indivíduos igualmente capazes.

Delimitar mulheres sobre a ótica da sua moral pessoal é restringir suas liberdades.

De fato, nós mulheres somos melhores do que isso. Bom, pelo menos as mulheres que tenho o prazer de ter em minha vida.

Texto publicado no IMB: https://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2883

Advertisements

SOBRE O MANIFESTO DE INTELECTUAIS E ARTISTAS FRANCESES

 

O feminismo sempre foi um assunto que movimenta várias polêmicas e que trás a tona o pior de algumas pessoas. Suas polêmicas sempre foram calorosas e parece que a tendência é piorar.

Em meio a uma briga entre relativização de casos de assédio e histórias fantasiosas, existem reais vitimas. Com essa movimentação de ambos os grupos mais empenhados em seus ativismos, elas são esquecidas enquanto vivenciamos uma espécie de Coliseu de Roma, basta saber quem é o nosso Flávio Vespasiano.

Sempre foi de conhecimento público que muitos indivíduos dentro do meio artístico usavam de seu poder para conquistar certos favores sexuais. O famoso ”Teste do sofá”. Enquanto se trata de uma troca de favores de forma voluntária é um problema exclusivo deles, mas quando se trata de assédio…Ai meus caros, são outros 500.

Mulheres e homens resolveram sair das sombras do silêncio e falar. Falar sobre o que aconteceu e mostrar para as próximas vítimas que a pior atitude é se submeter às sombras, é escolher o silêncio.

E até ai tudo ocorre muito bem, obrigada. Acontece que em se tratando de seres humanos, nada vem só para o bem. Algumas pessoas tendem a se aproveitar de situações para inventar mentiras e usa-las por uma possível vingança pessoal. Eis que surge entre as verdades, mentiras. Ou seria entre as mentiras, verdades?

Hoje a internet esta rodeada de críticas, cartas e grandes discursos e com isso inflamando ambos os grupos no qual mencionei no início deste texto. Toda essa onda de denúncias públicas culminou em uma carta escrita por 100 mulheres francesas e é sobre isso que eu quero falar.

Para quem costuma me seguir e ler minhas publicações não se surpreenderá quando eu digo que compactuo com grande parte do que esta escrito na carta.

Minha ‘’alma’’ livre me faz almejar cada vez mais a liberdade, e se almejo para mim almejo para todos. Isso me faz compreender perfeitamente a crítica a respeito do puritanismo e da censura que a carta fala. Mas tem dois pontos que me chamaram atenção.

Apesar de eu criticar feministas que exploram esse lado sombrio de ódio aos indivíduos por serem do sexo masculino, devo admitir que algumas questões abordadas não tem muito a ver com esse nicho.

Mas o que de fato me incomodou é a naturalização do assédio principalmente no meio profissional e o esquecimento de algo extremamente importante em uma sociedade saudável, o respeito.

Assim como muitas feministas se equivocam em confundir cantada, assédio e estupro, as mulheres que assinaram essa carta cometeram o mesmo erro.

Evidente que todo indivíduo tem o direito de investir em outro indivíduo que tenha desejo sexual ou que busque algum romance. Mas daí a ultrapassar a barreira do bom senso e do respeito, não! Você perde o seu direito quando importuna uma pessoa que não tem interesse de ser importunado por você. Principalmente no meio profissional, onde muitos, usando da sua hierarquia assediam os funcionários, Isso não deve ser de forma alguma relativizado, naturalizado ou ignorado.

Devemos manter uma razoabilidade em nossos discursos e sermos fieis ao que é justo. Sim, criticar o que deve ser criticado, mas jamais nos sucumbir a uma espécie de Coliseu de Roma e definir como devemos nos posicionar, esquecendo-se de sermos justos para sermos do contra.

Sendo assim, eu defendo a liberdade sexual, eu defendo a liberdade de cantar. Mas jamais, justamente por defender o indivíduo, poderia compactuar e defender algo que falte o respeito ao próximo, como é o caso de importunar quem nitidamente não tem interesse.

O tocar de suas mãos em um joelho de forma intimidante, as tentativas de roubar beijos, mensagens e comentários sexuais em locais profissionais não é uma mera ação de um individuo para com o outro. Devemos sim falar sobre isso, mas devemos também ter cautela para não acreditarmos que somos acusadores, advogados, júri e juiz.

Buscar a justiça e não o ‘’lacre’’, independente qual seja o seu lado dentro deste Coliseu.

Juliana Schettino
#Jubs

Link carta: https://www.revistaforum.com.br/…/defendemos-liberdade-de-…/

A INCÔMODA PRESENÇA DE ANITTA!

#VaiMalandra

Tenho algumas considerações a fazer sobre toda essa polêmica, então vamos ao textão problematizador da problematização do problematizado do pro…Ah foda-se!

Primeiro é importante frisar que a maioria de vocês são CHATOS! Isso mesmo! CHATOS!!!! Parecem um bando de mosca ávidos para reclamar de tudo. Uma música, um funk, um clipe. Parem de reclamar e curtam a vida, a música, o momento.

BALANCEM MAIS O ESQUELETO DO QUE A LÍNGUA.💃🕺

O mais curioso dessas polêmicas que envolvem aAnitta, é que enquanto estamos em um território de total hostilidade em que os grupos se resumem em progressistas vs conservadores, no caso da cantora muitas vezes fica difícil diferencia-los. Explicarei mais adiante.

Anitta é sim merecedora do rótulo de mulher do ano, e não falo por gostar dela e das músicas. Falo por toda a trajetória dela desde que foi ‘descoberta’ pela Furacão 2000 até os dias de hoje. Nos últimos 4 anos, ela emplacou um sucesso atrás do outro. Atualmente ela conseguiu marcas que nenhum outro cantor brasileiro conseguiu. Em pouco tempo lançou músicas de vários ritmos e línguas diferentes, fazendo parceria com pessoas conceituadas no meio musical. Basta ver os números. Empresaria, dançarina, cantora e a dona da porra toda. Desculpe-me – ou não – caros leitores, mas ela é sim a dona da porra toda. Você gostando ou não de suas músicas. É de fato uma mulher para espelhar outras mulheres.

O funk brasileiro é um ritmo da favela, da periferia, do pobre. Muitas letras são espelhadas na realidade dos moradores da favela. E no Rio de Janeiro a ”voz da favela” se estendeu para todo o canto. Funk é escutado nas boates da Zona Sul, na periferia, nas festas de comemoração e até no carnaval. Os turistas amam funk, e nós também. O som de preto, de favelado que quando toca ninguém fica parado. Nem mesmo os indivíduos que querem pagar de cultos e elitizados na internet.

Os pontos principais das polêmicas envolvendo o #VaiMalandra se resumem ao questionamento se existe ou não mensagem politica, a objetificação da mulher, a glamourização da favela e a bunda da Anitta. E com relação a isso, muitas feministas coletivistas e conservadores estão de mãos dadas.

Eu não chamaria o clipe #VaiMalandra de um objeto de mensagem politica, creio que tenha mais a ver com a parte social, uma conscientização sobre o corpo e sobre a favela.

De inicio, Anitta mostra suas celulites sem medo de ser feliz, em slow motion (câmera lenta). Para quem vive em uma realidade diferente não deve ter entendido, mas para nós, mulheres comuns cariocas que vivemos em uma cultura que cultua ao extremo o corpo, tem sim um real significado. Diante das polêmicas da youtuber conhecida como Boca Rosa e todo o endeusamento de mulheres plasticas e perfeitas, a mulher comum tende a crer que é possível ser daquele jeito, de um jeito que no final das contas, sequer existe. Então sim, para muitas mulheres, ver uma cantora como a Anitta feliz rebolando e mostrando toda sua flacidez e celulite para todo o mundo é uma mensagem. É uma mensagem de que ela é como a gente e tudo bem se tiver celulite. Não tenha vergonha da suas imperfeições, ame-as.

Talvez para muitos o bumbum da Anitta não significa nada. Mas lembrem-se, não é por não significar para vocês que não significa para os outros.

A ideia que as pessoas fora do Rio de Janeiro fazem das favelas cariocas é que se resume a tristeza, pobreza e guerra de tráfico. No clipe, a Anitta retrata uma outra visão da favela, uma visão que já conheci e tenho orgulho disso. A favela das pessoas comuns, pobres porem felizes. A favela da resiliência. A favela da ‘cracudinha’ no bar tocando pagode ou funk enquanto se joga sinuca. A favela da diversidade.

Conservadores, moralistas e feministas coletivistas criticam a objetificação da mulher.. Se vocês pudessem me ver, toda vez que leio sobre isso, entenderiam o real sentido de ‘olhos de caça níquel”.

Qual o problema de usar a sensualidade e o corpo da mulher? Qual o problema de fazer isso com o homem? Músicas de todo o mundo esbanjam sensualidades em clipes e danças desde o primórdio e em 2017 estamos criticando um rebolado de uma funkeira em cima da lage do morro do Vidigal com biquíni de fita isolante? Que vale ressaltar não é apenas comum, mas também abriu um mercado enorme de aluguel de lage. Surpreendente ou não, tem quem ganhe dinheiro com isso. Tão errado assim? Não, não é!

E não meus caros, isso não vende o Brasil errado para os gringos e nem alimenta o trafico sexual. Trafico sexual é bastante comum em países sub-desenvolvidos e não será o tamanho do short da carioca, o seu rebolado ou a sua música que aumentará isso. Não sejam bobinhos! Basta ver os top 10 de países que tem maior índice e notar que o que une eles não é o tamanho da vestimenta e nem a música. O que une é a pobreza.

E feministas, por favor, parem de tentar por as mulheres em suas caixinhas moralistas. Parem de achar que mulheres não podem ser vistas como objetos sexuais e não podem ser sexualizadas (com contexto, é claro). Todo ser humano que tem desejos sexuais, objetifica sexualmente indivíduos que tenham características que os atraia. Eu já cansei de ver fotos e homens na rua e ‘objetifica-los’ e muitos de vocês também.

Em um clipe que tem toda a diversidade retratada da favela de um jeito tão divertido e original, vocês deveriam problematizar a falta do que fazer de cada um que fica perdendo tempo arrumando desculpa para problematizar e escutar um ritmo que não gosta.

No final das contas, essa ideia de objetificação, trafico sexual e afins vem apenas da cabeça suja dos brasileiros. Os gringos adoram. Sobre o corpo exposto? Já estão acostumados com coisas do tipo que está pelo Mundo todo.De Nicki Minaj à Twerk.

Então vamos parar de arrumar carrapato em cão que tomou injeção de Ivermectina.

Sejam menos chatos!
Sejam menos línguas de trapo!

 

Resposta: Sufrágio, educação e feminismo

Pergunte a alguma feminista se elas sabem da maioria das coisas escritas e comprove. É o que Rafael Zuco aconselha no final do seu texto.
Sem título.jpg 
Sendo notório que sou uma feminista, podemos pular as apresentações e responder seus questionamentos. Então já começo a responder o final do texto. Sim, eu conheço tudo o que foi citado e todos os nomes citados. Mas mais do que isso, pois não limito meu conhecimento sobre a história do feminismo em uma visão da superfície.
 
 Zucco acredita que na esmagadora maioria das vezes ele é atacado por ser homem. Mas não é, é pela ideia que propaga e defende. Eu não me importo se és homem, mulher, cis, trans…O que eu vejo é o indivíduo e nesse caso suas opiniões merecem críticas. Se tudo que vê é ataque ao seu sexo, está sendo vitimista. Cuidado para não criticar ações que você mesmo pratica. No mais, você ataca, crítica ou refuta as feministas por elas serem mulheres, não é?!
 
O feminismo consiste em várias vertentes com víeis distintos e apesar dos objetivos serem similares os caminhos são diferentes. Existem feministas que propagam ódio aos homens, muitas sendo levadas por suas líderes que aproveitam a sensibilidade e fraqueza de um momento pós agressão. Isso não é nenhuma novidade e nem ocorre só no feminismo. Mas aconselho conhecer mais feministas e vertentes para poder ser fiel a realidade enquanto crítica. Até mesmo as radicais feministas, que repudiam qualquer interferência masculina em suas pautas, muitas não odeiam homens, convivem e até casam com eles.
 
Concordo com sua crítica sobre a generalização forçada que algumas feministas fazem ao definir que homens são estupradores em potencial. Mas sejamos francos, você também generaliza as feministas em suas críticas e deturpa informações, inventa dados. Não muda tanto assim, mesmas atitudes mesmo resultado.

Também não gosto da frase ”todo homem é um estuprador em potencial”. Mas aqui cabe uma crítica, interprete-a. Quando você não interpreta pode ignorar o termo ”em potencial” e vender a ideia que vendeu no texto, como se essa frase definisse que todo homem seja um estuprador. Na verdade todo indivíduo é um potencial independente do sexo.

 
Palavras têm seus significados para que possamos nos comunicar e cada grupo, país, cultura tem suas gírias. Veja o quão curioso é você criticando gírias de feministas quando você mesmo é usuário de outras gírias. Mas muito do que você chamou de ”dicionário feminazista” são palavras tão antigas que tem inclusive origem grega. Por exemplo, a palavra patriarcado, que é derivada do patriarchês ( pátria = família + archês = governar). A palavra ”miga” tanto utilizado em vários anos de nossas vidas para chamar nossas amigas. Até mesmo o ”male tears” tem o seu par no ”feminist tears”. E assim por diante.
 
Realmente custo a crer se realmente o propósito do seu texto foi criticar gírias e palavras antigas ou era só para inventar um motivo para empregar uma palavra inventada por anti-feministas, em que se trata de duas ideologias que são distintas em toda sua teoria e prática, mas que pessoas como você gostam de juntar para vender algo extremamente negativo.
 
Não nego que existam feministas que busquem segregar a sociedade. O famoso separar para conquistas dos políticos endossando o discurso de recorte de classes. Mas pelo outro lado também existe o mesmo intuito. Seu texto é um exemplo disso, suas posições, as posições da pagina. É muito fácil criticar o oponente, difícil é fazer uma auto-critica.
 
Homens e mulheres são biologicamente diferentes. Dito isso, homens tendem a ser mais agressivos, mas isso de forma alguma deve ser levado como regra. Sobre a questão das características masculinas, creio que cada indivíduo é um ser único e tem suas características conforme sua personalidade e suas escolhas e são livres para isso. Em alguns lugares iriam certamente te ver como um homem menos masculinizado. Mas que diferença isso faz? Qual motivo de definir quem é mais ou menos masculinizado?
 
Você citou que homens morrem mais de homicídios e de latrocínios e apesar de não ter certeza da porcentagem exata, eu concordo. Como não concordar? É dado estatístico nacional, assim como a maioria esmagadora dos perpetrantes também são homens. Esqueceu de mencionar isso.

Mas é importante frisar que o debate sobre o feminismo é relacionado aos crimes com motivação sexista e não qualquer morte por qualquer motivo. Então claramente latrocínios, seja qual sexo a vítima for, não entra nesse debate. Assim como nem todos os homicídios entrarão. Você me lembra uma prima petista que pegava o número de negros(+ pardos) mortos e dizia que todos  eram negros e os crimes eram por racismo. Isso não é nada legal. E a culpa é e sempre será do perpetrante, seja qual sexo ele tiver.

 
Outro ponto curioso do seu discurso é forçar a ideia de classes, ideia tão aprovada e adulada por marxistas. Diminuir a capacidade, a intelectualidade, a luta de um indivíduo na história do Mundo por ser, como você definiu burguês, é bem curioso vindo de alguém que critica tanto a esquerda e o marxismo. Mas engana-se se crê que todas as sufragistas eram ricas e burguesas, faltou muito estudo sobre elas.
 
O Sufrágio
 
Curioso como resume o feminismo em uma única feminista chamada Emmeline Pankhurst. Pankhrst tinha o foco da sua luta em direitos trabalhistas, ela estava inserida na segunda fase da Primeira Onda do feminismo, então imagina minha surpresa ao cita-la sobre o sufrágio. Sua luta foi em meio a Rev. Industrial e irritada com as mortes, prisões e negações, ela resolveu montar um movimento que chamamos de Pluma Branca, na qual ela e suas companheiras distribuíam plumas para meninos e homens para lembrar-lhes que eles devem ir para guerra. Existe uma motivação dentro de seus atos e um livro ou artigo que tenha seriedade e busque a verdade pode mostrar isso. Mas independente disso, muitas feministas ficaram descontentes com seus atos e cortaram relações com ela. Só reconhecem Pankhrst por ter tido um filme dela.
 
Sobre o sufrágio (voto), várias feministas lutaram para que as mulheres fossem vistas como indivíduos na sociedade e era justamente por isso que elas queriam o voto e não só ele, mas direitos iguais aos dos homens podendo se divorciar, trabalhar, estudar e ser um indivíduo produzindo socialmente sem que o patriarca da família tenha que autorizar.

Olympe de Gouves, Mary Wollstonecraft, Nísia Floresta dentre outras eram mulheres que lutavam para que TODOS pudessem ter seu direito ao voto e a liberdade. Eram abolicionistas, indianistas e feministas. E ao contrario do que quis vender, não eram da realeza. No Brasil, podemos também citar Bertha Lutz, Myrthes Gomes, Juvenal Lamartine dentre outros.

 
Estereótipos sempre existiram, mas naquela época era muito mais acentuado. Então acreditava-se que mulheres só serviam para os afazeres domésticos. Apesar disso muitas mulheres na Rev. Industrial tiveram empregos que prejudicava diretamente sua saúde e seus salários – menores do que os dos homens na mesma função – eram pagos aos patriarcas da família.

Mas felizmente o mundo evolui e mulheres aos poucos estão tomando lugares em outras profissões que antes eram vistas masculinas. Hoje podemos ver mulheres pedreiras, eletricistas e até mesmo em minas de carvão na Africa. Estamos deixando estereótipos desnecessários para trás. Mas vale ressaltar que naquela época pessoas morriam até mesmo por gripe, parto, acidentes bobos que hoje podemos medicar e salvar.

 

 

A Educação.
 
Infelizmente já li algumas coisas que você escreveu e sei que não é inocente, então tudo leva a crer que seja preguiçoso ou desonesto, ou os dois.
 
Sobre a educação no Brasil para mulheres, foi sim um feito feminista. De uma feminista chamada Nísia Floresta. Sua história é maravilhosa e seus livros também, então quem tiver o real interesse é só buscar. Ela escreveu em português, inglês e francês.
 
Bom, para que compreenda melhor onde quero chegar, Nísia Floresta foi uma feminista que lutou durante sua vida para que mulheres tivessem as mesmas oportunidades para produzir e crescer intelectualmente que os homens tinham. Naquela época as mulheres que queriam ler sobre vários assuntos e se interessavam sobre ciência e afins, elas só tinham duas soluções: as bibliotecas dos conventos ou as bibliotecas das famílias reais. Tais bibliotecas eram cheios de livros no quais os meninos estudavam. Um exemplo claro dessa diferença é o livro do Rousseau chamado Èmille. Retrata claramente como era e o que era defendido naquela época.
 
Em 15 de Fevereiro de 1838, Nísia Floresta fundou o primeiro Colégio de moças do Brasil sobre forte ataque dos moralistas de plantão. Em homenagem ao seu esposo falecido nomeou-o de Colégio Augusto, e nele ensinava tudo que os meninos aprendiam.
 
Em 1879 existiu um decreto imperial que autorizava todas as mulheres a estudarem e fazerem faculdade. Porém elas enfrentavam as barreiras levantadas pelos colegas de classe e professores e depois de formadas enfrentavam para conseguir exercer a profissão. Foi assim que ocorreu com Rita Lobato que se formou em 1887, foi a primeira mulher eleita vereadora em Rio Pardo, em 1934 e Ermelinda que se formou em 1888 e só conseguiu fazer especialização em ginecologia na Europa após se casar com um ginecologista e começou a realizar partos em meados de 1900. Ambas sofreram na mão de críticos que as rotulavam de ”machonas” endossado inclusive por Silvio Romero.
 
Outro exemplo foi a feminista Myrthes Gomes que se formou em Direito em 1898, mas só conseguiu legitimar-se profissionalmente em 1906.
 
Além de ignorar pontos cruciais da história, se esquece de pesquisar sobre os nomes que citou. Existe inclusive um coletivo de feministas chamado Coletivo Rita Lobato. E todas as supracitadas foram extremamente importantes para o movimento feminista da época.:)
 
Naquela época as pessoas morriam de tudo e com muita facilidade, mas a luta nunca envolveu quem morre mais ou menos, era uma questão de direitos. Os filhos nascidos fora do casamento eram renegados e com respaldo da lei pelos seus pais, as mulheres não tinham direitos não eram vistas como indivíduos e sim como a continuação do homem e ele tinha que decidir por tudo. Uma mulher desquitada ou abandonada não tinha direito nem a ver seus filhos. Enfim uma série de coisas que  era negado as mulheres, pois elas não eram vistas como indivíduo.
 
O feminismo não é uma ideologia que seja em sua origem e teoria para obrigar mulheres. Sempre foi sobre liberdade e escolha. A escolha da mulher decidir sobre seu corpo e sua vida. Querendo ser uma empresária, uma prostituta ou uma dona de casa. Sim, existiam criticas as mulheres que alimentavam essa ideia de total submissão das mulheres aos homens, mas isso qualquer pessoa com bom senso defende. O direito de cada uma escolher e produzir socialmente. Agora se você busca mulheres que querem ser submissas e donas do lar, certamente tem várias. Afinal é o direito delas escolherem o que as façam feliz,  não quer dizer que isso fará todas felizes.
 
1

 

Você detestar o feminismo e querer criticar é um problema seu, mas pelo menos seja honesto e fiel a história do Mundo e pare de cuspir nos mortos que foram de extrema importância para chegar onde chegamos hoje.

Texto do Rafael Zucco: https://goo.gl/QGx9WY

Links:
Nisia: http://educacaointegral.org.br/reportagens/nisia-floresta/
https://goo.gl/KKCFFz
https://tokdehistoria.com.br/tag/colegio-augusto/

Myrthes Gomes: https://goo.gl/6tQnas

Rita Lobato: https://goo.gl/wzXU87
https://goo.gl/K9wEKH
https://goo.gl/49diHh

Ermelina: https://goo.gl/7ethUR

Decreto Imperial: https://goo.gl/jqZPKW

Tempos modernos, ou não.

Começo a crer que não há sentido na existência e na esperança de um futuro. Isso se deve a essa onda assustadora de fanatismo e ignorância que estamos vivendo. Um pouco da culpa vem da internet, afinal ela surgiu de uma forma tão rápida e forte em nossas vidas que não nos adaptamos e muitos acabam não sabendo como usa-la. Escondem-se em telas de computadores, compartilham noticias falsas, atacam pessoas. Mas a maior culpa disso se concentra nos usuários, nas pessoas que não querem evoluir, se informar, e que limitam tudo que estamos enfrentando com uma visão binária da política em uma eterna guerra entre esquerda x direita.

A política brasileira alimentada pelo retrocesso, ignorância e histeria coletiva, faz vitimas. Acontece que não importa qual a sua ideologia política ou se não tem uma, as pessoas estão usando a desculpa do boicote para camuflar censura. Querem impor o que acreditam aos outros, querem impedir a liberdade dos outros.

Chegamos ao tempo em que uma mãe não pode educar seu filho com uma educação liberal e naturalista. Chegamos ao tempo em que o Prefeito do Rio de Janeiro defende claramente uma espécie de teocracia, ‘’queimando’’ nossa constituição – que já não é das melhores – em cultos dentro da Câmara dos Vereadores e determina qual arte pode ou não pode ser exposta em um Museu. E a tendência é piorar. Propagandas sendo atacadas, artistas sendo atacados, pessoas sendo atacadas. E por quais motivos? Por puro pudismo de uma sociedade doente, saudosa de um tempo que sequer viveu, espreitando o que tem de pior no ser humano.

Não sabem a diferença de ideologia de gênero e questões de gênero. Não sabem diferenciar atos de pedofilia e racismo. Se eu me preocupava com o feminismo mainstream que dizia que um assédio era um estupro, agora definitivamente estou preocupada com o futuro de toda a sociedade ao me encontrar com essa onda de fanatismo e ignorância. Não adianta vir dizer que não é, que defende liberdades e que é contra censura enquanto apoia visões distorcidas e apoia ataques à diversidade.

A defesa da liberdade esta atrelada a defesa da diversidade, pois defender liberdade é defender a liberdade dos outros, mesmo que discorde, mesmo que não compreenda, mesmo que não entenda.

Antigamente as pessoas se limitavam em coletivos e guerreavam para poder sobreviver. Hoje, depois de séculos, nossa sobrevivência não depende mais disso. Depende da diversidade e das diferenças dos indivíduos em sociedade.

E nesses momentos é imprescindível olhar para a história, ela te ensina o quão ruim é o caminho que estamos, como sociedade, tomando.

 

A arte e o nu

Estamos vivendo em uma onda de retrocesso, onde a nudez é visto como algo impróprio, impuro e sempre sexualizado. O que é estranho quando pensamos que a nudez dos corpos perambulando pela Sapucaí é ovacionado pela maioria. O país da liberdade sexual, não é o país da liberdade de forma alguma.

Depois das últimas polêmicas envolvendo arte e nudez, fica evidenciado na reação da população o quão limitados somos e o quão não entendemos nada sobre arte, liberdade e respeito. Para alimentar mais a histeria coletiva, a população rotula tiranos como heróis e são condicionadas e convencidas, muitas vezes, a defender as mesmas coisas que eles. Fomos ensinados a temer o nu, a vê-lo como algo negativo. A história nos mostra, que o nu sempre foi alvo de muitas criticas. E nos dias atuais, não é novidade ver pessoas distorcendo situações, acusando terceiros de crimes e aliciando mentes fracas e fáceis de manipular. Para essas, quanto mais pessoas tomarem um lado, mais rápido elas consideram aquele lado como verdade, sem cogitar e sem observar.

Até mesmo aqueles que defendem – ou melhor, dizem defender – a liberdade, não conseguem controlar seus ímpetos autoritários quando outras pessoas não concordam e não se deixam levar por sugestões em meio a histeria coletiva. Só defendem quando convém a eles, esta é a verdade.

Outrora ouvi que o prego que se destaca, é o que é martelado. Diante do cenário atual, concluo que aqueles que não se limitam como a maioria, são perseguidos. Quanto maior a capacidade de questionar e racionalizar, mais as pessoas vão te atacar.

Evidente que a expressão artística ocorrida no MAM não é algo que estamos acostumados. É estranho e podemos até rotular como bizarro, se assim o achar. Mas é imprescindível não descontextualizarmos e nem fazer juízo de valor nos baseando na moral, desinformações e em tabus.

Existe uma diferença entre olhar e ver. Ver te dará a dimensão das coisas, o questionar, o racionalizar. O olhar é superficial. E isso é o que ocorre com a arte. A arte é amoral e subjetiva, muitas vezes ela anda rente ao precipício. Uma linha tênue, entre o belo e o feio.  Mas o que é arte? Nem sempre o que é arte para um, é para o outro. Seja clássica, surrealista ou contemporânea, a arte tem uma riqueza de detalhes, informações e sentimentos. E isso dependerá dos olhos de cada observador. Delimitar a arte é delimitar a liberdade do questionar.

O fato é que sobre esse assunto, existe pelo menos 3 questões envolvidas: A arte; O nu e a mãe.  Falta falarmos da mãe. Muitos estão criticando a mãe por levar sua filha de 5 anos em uma exibição com contato com um homem nu, mas o que muitos não querem entender e negam é que a responsabilidade de criar é da mãe, que também é uma performance e dançarina.

Não sabemos como é a relação do nu para aquela família e nem a criação que a mãe deseja dar. Educar suas proles vendo a naturalidade do nu, não é crime. Pelo contrario. Cada mãe é responsável pela educação e zelo da sua prole e ela tem o direito de educar seus filhos como achar correto. Se alguém discorda da forma natural que a nudez é vista por aquela família, então que não use o mesmo método educacional. Agora imagine se o seu método para educar suas proles não for o que a maioria acha como correto moralmente? Se forçar crianças de 2-3 anos lerem for visto como absurdo? Ou questão de roupa e gênero? Ou a doutrinação de crianças a uma determinada religião? Evidente que nada disso é sobre o nu, mas é sobre a educação que sua família decide. Isso quer dizer que, não existindo abuso físico e mental, sendo uma questão de educar, nenhum de nós têm o direito de ditar como uma mãe deve ou não educar suas proles. Os naturalistas, por exemplo, enxergam a nudez diferente dos tradicionalistas.

A ideia que a mãe obrigou a filha a participar é mera suposição. Crianças muitas vezes querem fazer coisas, mas por respeito a mãe, esperam que a mesma as guie ou as incentive a fazer o que elas querem. Eu já fui uma criança bem tímida. Não podemos nos achar no direito de julgar a relação de uma família que sequer conhecemos, por meras suposições.

Em uma discussão, disse que o próximo passo seria chamar pais que tomam banho com seus filhos de pedófilos. Eis que me lembrei de um caso, um humorista chamado Torbem Cris, publicou uma foto com sua filha na banheira e foi acusado de pedofilia por uma onda de intolerantes e ignorantes. Onde vamos parar?

Afinal se o nu é visto de forma tão pudica e a presença da criança automaticamente remete as mentes mais conservadoras ao ato da pedofilia, então seria a ordem natural das coisas, ver pedofilia em simples gestos de carinhos de pais para filhos.

O corpo nu é envolto de tabu dentro da sociedade. Tratamos como se o nu fosse algo sujo, impróprio e sempre remetendo a ideia do ato sexual.  E muitas vezes esse pensamento exageradamente pudico, esconde as mentas mais nefastas. Como eu já disse antes: Se você vê perversão em tudo, pode ser que a perversão esteja dentro de você.

Esse tipo de fenomeno de histeria coletiva ao ver o que não esta ali, não é só caracteristica de individuos moralistas como os que estão vendo pedofilia em todo lugar, mas também de grupos contra racismo e contra o sexismo. As pessoas acabam levando seu ativismo ao extremo do emocional e com isso suas mentes ficam turvas e deturpadas. Começam a ver o que repudiam em tudo quanto é coisa.

Além disso tem aqueles que querem esconder sua real natureza. Nos grandes casos de pedofilia, os agressores eram homens que passavam despercebidos, vendiam uma castidade, uma moralidade e convicções. Muitos padres, pastores e homens ditos como ”homens de família”. E antes que a insensatez possa tomar conta de algum leitor, em momento algum eu determinei que esses indivíduos são pedófilos e sim que existem majoritariamente casos de pedófilos envolvendo as pessoas que se posicionam de forma mais pudica, moralista e conservadora na sociedade.

Para piorar a situação, agora estão usando a força bruta e a desculpa de maioria. Uma mulher  usou como argumento que a maioria dos seus amigos concordarem com ela para dizer que eu estava errada. Bom, partindo desse principio, posso dizer que a grande maioria dos  curadores, críticos de arte e artistas concordam comigo. O que tem mais peso? Um monte de indivíduos que não fazem a minima ideia de arte e liberdade e que brandam na maioria por intervenção militar, ou pessoas que são formadas e profissionais da área?

Por fim, devemos respirar antes de sair julgando e acusando as pessoas. O nu artístico naquele palco não teve nenhuma conotação sexual, é a naturalização do nu e isso não tem nada a ver com pedofilia. A mãe tem o direito de criar sua filha educando a não ter tabu sobre o tema e o Museu estava alertando que naquela sala existia nu. O errado são os que em profunda ignorância e moralismo, imersos em histeria coletiva saem atacando os outros. E muitas vezes simplesmente, por discordar da visão. Como ocorreu comigo.

 

Um problema atual

Estamos vivendo em um momento bastante conturbado. Esse cenário de calamidades e extremismos não vem de hoje. Veio gradualmente tomando conta de nossas famílias, amigos e de nossas mentes. Alimentados por uma política sanguessuga que se nutre do desespero da população.

Não pensem que é apenas uma ideologia, um político ou um partido que permeia essa opressão. São todos. Hoje é muito difícil encontrar algum que de fato possa dar esperanças. Existe uma linha tênue entre o idealista e a tirania. Tudo está tão colérico que muitos estão recorrendo aos extremos e tornando heróis pessoas como Lula e Bolsonaro.

Heróis? Heróis de que? Não precisamos de falsos profetas, precisamos repensar a política. Precisamos respeitar coisas básicas como liberdade e propriedade. Respeitar um todo e não só quando convém. Um copo com 50% de água não é nem nunca será, um copo cheio.

Precisamos repensar, raciocinar e aprender que não devemos, jamais, cercear a liberdade dos outros indivíduos por discordarmos de sua conduta pessoal, sobre seu corpo e sua vida.

Hoje o que é vendido para a população, é que vivemos uma inevitabilidade. Ou seja, vivemos sem alternativas. Você é estatista ou estatista. O que muda entre esses caminhos é simplesmente questões morais e onde querem comprimir a população. Hoje, o que vivemos é um verdadeiro circo de horrores orquestrado por fanáticos, reacionários e extremistas transvestidos de bons samaritanos, sempre preocupados com o próximo, ledo engano.

Quanto mais o tempo passa fica nítido para aqueles que observam com clareza que, mais ano menos ano, mais década menos década, nossa política tem se definido autoritária e simplesmente não há espaço para meio-termo, para racionalizar, para conciliar.

Os últimos acontecimentos político-social-economico, apresenta uma grande ferida, e tal ferida que temos é insanável. Estamos perante — ou já estamos plenamente dentro de — um país em ruínas, destruído por embustes. Mas pouco importa para a maioria que preferem usar antolhos ideológicos e massagear seus egos do que fazer algo de real para as próximas gerações.

Precisamos admitir a hipótese que a libertação falhou, proveniente também pelo próprio pensamento dominante. Aprender a não apenas ler, mas entender a história e tentar não vive-la novamente.