A arte e o nu

Estamos vivendo em uma onda de retrocesso, onde a nudez é visto como algo impróprio, impuro e sempre sexualizado. O que é estranho quando pensamos que a nudez dos corpos perambulando pela Sapucaí é ovacionado pela maioria. O país da liberdade sexual, não é o país da liberdade de forma alguma.

Depois das últimas polêmicas envolvendo arte e nudez, fica evidenciado na reação da população o quão limitados somos e o quão não entendemos nada sobre arte, liberdade e respeito. Para alimentar mais a histeria coletiva, a população rotula tiranos como heróis e são condicionadas e convencidas, muitas vezes, a defender as mesmas coisas que eles. Fomos ensinados a temer o nu, a vê-lo como algo negativo. A história nos mostra, que o nu sempre foi alvo de muitas criticas. E nos dias atuais, não é novidade ver pessoas distorcendo situações, acusando terceiros de crimes e aliciando mentes fracas e fáceis de manipular. Para essas, quanto mais pessoas tomarem um lado, mais rápido elas consideram aquele lado como verdade, sem cogitar e sem observar.

Até mesmo aqueles que defendem – ou melhor, dizem defender – a liberdade, não conseguem controlar seus ímpetos autoritários quando outras pessoas não concordam e não se deixam levar por sugestões em meio a histeria coletiva. Só defendem quando convém a eles, esta é a verdade.

Outrora ouvi que o prego que se destaca, é o que é martelado. Diante do cenário atual, concluo que aqueles que não se limitam como a maioria, são perseguidos. Quanto maior a capacidade de questionar e racionalizar, mais as pessoas vão te atacar.

Evidente que a expressão artística ocorrida no MAM não é algo que estamos acostumados. É estranho e podemos até rotular como bizarro, se assim o achar. Mas é imprescindível não descontextualizarmos e nem fazer juízo de valor nos baseando na moral, desinformações e em tabus.

Existe uma diferença entre olhar e ver. Ver te dará a dimensão das coisas, o questionar, o racionalizar. O olhar é superficial. E isso é o que ocorre com a arte. A arte é amoral e subjetiva, muitas vezes ela anda rente ao precipício. Uma linha tênue, entre o belo e o feio.  Mas o que é arte? Nem sempre o que é arte para um, é para o outro. Seja clássica, surrealista ou contemporânea, a arte tem uma riqueza de detalhes, informações e sentimentos. E isso dependerá dos olhos de cada observador. Delimitar a arte é delimitar a liberdade do questionar.

O fato é que sobre esse assunto, existe pelo menos 3 questões envolvidas: A arte; O nu e a mãe.  Falta falarmos da mãe. Muitos estão criticando a mãe por levar sua filha de 5 anos em uma exibição com contato com um homem nu, mas o que muitos não querem entender e negam é que a responsabilidade de criar é da mãe, que também é uma performance e dançarina.

Não sabemos como é a relação do nu para aquela família e nem a criação que a mãe deseja dar. Educar suas proles vendo a naturalidade do nu, não é crime. Pelo contrario. Cada mãe é responsável pela educação e zelo da sua prole e ela tem o direito de educar seus filhos como achar correto. Se alguém discorda da forma natural que a nudez é vista por aquela família, então que não use o mesmo método educacional. Agora imagine se o seu método para educar suas proles não for o que a maioria acha como correto moralmente? Se forçar crianças de 2-3 anos lerem for visto como absurdo? Ou questão de roupa e gênero? Ou a doutrinação de crianças a uma determinada religião? Evidente que nada disso é sobre o nu, mas é sobre a educação que sua família decide. Isso quer dizer que, não existindo abuso físico e mental, sendo uma questão de educar, nenhum de nós têm o direito de ditar como uma mãe deve ou não educar suas proles. Os naturalistas, por exemplo, enxergam a nudez diferente dos tradicionalistas.

A ideia que a mãe obrigou a filha a participar é mera suposição. Crianças muitas vezes querem fazer coisas, mas por respeito a mãe, esperam que a mesma as guie ou as incentive a fazer o que elas querem. Eu já fui uma criança bem tímida. Não podemos nos achar no direito de julgar a relação de uma família que sequer conhecemos, por meras suposições.

Em uma discussão, disse que o próximo passo seria chamar pais que tomam banho com seus filhos de pedófilos. Eis que me lembrei de um caso, um humorista chamado Torbem Cris, publicou uma foto com sua filha na banheira e foi acusado de pedofilia por uma onda de intolerantes e ignorantes. Onde vamos parar?

Afinal se o nu é visto de forma tão pudica e a presença da criança automaticamente remete as mentes mais conservadoras ao ato da pedofilia, então seria a ordem natural das coisas, ver pedofilia em simples gestos de carinhos de pais para filhos.

O corpo nu é envolto de tabu dentro da sociedade. Tratamos como se o nu fosse algo sujo, impróprio e sempre remetendo a ideia do ato sexual.  E muitas vezes esse pensamento exageradamente pudico, esconde as mentas mais nefastas. Como eu já disse antes: Se você vê perversão em tudo, pode ser que a perversão esteja dentro de você.

Esse tipo de fenomeno de histeria coletiva ao ver o que não esta ali, não é só caracteristica de individuos moralistas como os que estão vendo pedofilia em todo lugar, mas também de grupos contra racismo e contra o sexismo. As pessoas acabam levando seu ativismo ao extremo do emocional e com isso suas mentes ficam turvas e deturpadas. Começam a ver o que repudiam em tudo quanto é coisa.

Além disso tem aqueles que querem esconder sua real natureza. Nos grandes casos de pedofilia, os agressores eram homens que passavam despercebidos, vendiam uma castidade, uma moralidade e convicções. Muitos padres, pastores e homens ditos como ”homens de família”. E antes que a insensatez possa tomar conta de algum leitor, em momento algum eu determinei que esses indivíduos são pedófilos e sim que existem majoritariamente casos de pedófilos envolvendo as pessoas que se posicionam de forma mais pudica, moralista e conservadora na sociedade.

Para piorar a situação, agora estão usando a força bruta e a desculpa de maioria. Uma mulher  usou como argumento que a maioria dos seus amigos concordarem com ela para dizer que eu estava errada. Bom, partindo desse principio, posso dizer que a grande maioria dos  curadores, críticos de arte e artistas concordam comigo. O que tem mais peso? Um monte de indivíduos que não fazem a minima ideia de arte e liberdade e que brandam na maioria por intervenção militar, ou pessoas que são formadas e profissionais da área?

Por fim, devemos respirar antes de sair julgando e acusando as pessoas. O nu artístico naquele palco não teve nenhuma conotação sexual, é a naturalização do nu e isso não tem nada a ver com pedofilia. A mãe tem o direito de criar sua filha educando a não ter tabu sobre o tema e o Museu estava alertando que naquela sala existia nu. O errado são os que em profunda ignorância e moralismo, imersos em histeria coletiva saem atacando os outros. E muitas vezes simplesmente, por discordar da visão. Como ocorreu comigo.

 

Advertisements

SOBRE O MANIFESTO DE INTELECTUAIS E ARTISTAS FRANCESES

 

O feminismo sempre foi um assunto que movimenta várias polêmicas e que trás a tona o pior de algumas pessoas. Suas polêmicas sempre foram calorosas e parece que a tendência é piorar.

Em meio a uma briga entre relativização de casos de assédio e histórias fantasiosas, existem reais vitimas. Com essa movimentação de ambos os grupos mais empenhados em seus ativismos, elas são esquecidas enquanto vivenciamos uma espécie de Coliseu de Roma, basta saber quem é o nosso Flávio Vespasiano.

Sempre foi de conhecimento público que muitos indivíduos dentro do meio artístico usavam de seu poder para conquistar certos favores sexuais. O famoso ”Teste do sofá”. Enquanto se trata de uma troca de favores de forma voluntária é um problema exclusivo deles, mas quando se trata de assédio…Ai meus caros, são outros 500.

Mulheres e homens resolveram sair das sombras do silêncio e falar. Falar sobre o que aconteceu e mostrar para as próximas vítimas que a pior atitude é se submeter às sombras, é escolher o silêncio.

E até ai tudo ocorre muito bem, obrigada. Acontece que em se tratando de seres humanos, nada vem só para o bem. Algumas pessoas tendem a se aproveitar de situações para inventar mentiras e usa-las por uma possível vingança pessoal. Eis que surge entre as verdades, mentiras. Ou seria entre as mentiras, verdades?

Hoje a internet esta rodeada de críticas, cartas e grandes discursos e com isso inflamando ambos os grupos no qual mencionei no início deste texto. Toda essa onda de denúncias públicas culminou em uma carta escrita por 100 mulheres francesas e é sobre isso que eu quero falar.

Para quem costuma me seguir e ler minhas publicações não se surpreenderá quando eu digo que compactuo com grande parte do que esta escrito na carta.

Minha ‘’alma’’ livre me faz almejar cada vez mais a liberdade, e se almejo para mim almejo para todos. Isso me faz compreender perfeitamente a crítica a respeito do puritanismo e da censura que a carta fala. Mas tem dois pontos que me chamaram atenção.

Apesar de eu criticar feministas que exploram esse lado sombrio de ódio aos indivíduos por serem do sexo masculino, devo admitir que algumas questões abordadas não tem muito a ver com esse nicho.

Mas o que de fato me incomodou é a naturalização do assédio principalmente no meio profissional e o esquecimento de algo extremamente importante em uma sociedade saudável, o respeito.

Assim como muitas feministas se equivocam em confundir cantada, assédio e estupro, as mulheres que assinaram essa carta cometeram o mesmo erro.

Evidente que todo indivíduo tem o direito de investir em outro indivíduo que tenha desejo sexual ou que busque algum romance. Mas daí a ultrapassar a barreira do bom senso e do respeito, não! Você perde o seu direito quando importuna uma pessoa que não tem interesse de ser importunado por você. Principalmente no meio profissional, onde muitos, usando da sua hierarquia assediam os funcionários, Isso não deve ser de forma alguma relativizado, naturalizado ou ignorado.

Devemos manter uma razoabilidade em nossos discursos e sermos fieis ao que é justo. Sim, criticar o que deve ser criticado, mas jamais nos sucumbir a uma espécie de Coliseu de Roma e definir como devemos nos posicionar, esquecendo-se de sermos justos para sermos do contra.

Sendo assim, eu defendo a liberdade sexual, eu defendo a liberdade de cantar. Mas jamais, justamente por defender o indivíduo, poderia compactuar e defender algo que falte o respeito ao próximo, como é o caso de importunar quem nitidamente não tem interesse.

O tocar de suas mãos em um joelho de forma intimidante, as tentativas de roubar beijos, mensagens e comentários sexuais em locais profissionais não é uma mera ação de um individuo para com o outro. Devemos sim falar sobre isso, mas devemos também ter cautela para não acreditarmos que somos acusadores, advogados, júri e juiz.

Buscar a justiça e não o ‘’lacre’’, independente qual seja o seu lado dentro deste Coliseu.

Juliana Schettino
#Jubs

Link carta: https://www.revistaforum.com.br/…/defendemos-liberdade-de-…/

A INCÔMODA PRESENÇA DE ANITTA!

#VaiMalandra

Tenho algumas considerações a fazer sobre toda essa polêmica, então vamos ao textão problematizador da problematização do problematizado do pro…Ah foda-se!

Primeiro é importante frisar que a maioria de vocês são CHATOS! Isso mesmo! CHATOS!!!! Parecem um bando de mosca ávidos para reclamar de tudo. Uma música, um funk, um clipe. Parem de reclamar e curtam a vida, a música, o momento.

BALANCEM MAIS O ESQUELETO DO QUE A LÍNGUA.💃🕺

O mais curioso dessas polêmicas que envolvem aAnitta, é que enquanto estamos em um território de total hostilidade em que os grupos se resumem em progressistas vs conservadores, no caso da cantora muitas vezes fica difícil diferencia-los. Explicarei mais adiante.

Anitta é sim merecedora do rótulo de mulher do ano, e não falo por gostar dela e das músicas. Falo por toda a trajetória dela desde que foi ‘descoberta’ pela Furacão 2000 até os dias de hoje. Nos últimos 4 anos, ela emplacou um sucesso atrás do outro. Atualmente ela conseguiu marcas que nenhum outro cantor brasileiro conseguiu. Em pouco tempo lançou músicas de vários ritmos e línguas diferentes, fazendo parceria com pessoas conceituadas no meio musical. Basta ver os números. Empresaria, dançarina, cantora e a dona da porra toda. Desculpe-me – ou não – caros leitores, mas ela é sim a dona da porra toda. Você gostando ou não de suas músicas. É de fato uma mulher para espelhar outras mulheres.

O funk brasileiro é um ritmo da favela, da periferia, do pobre. Muitas letras são espelhadas na realidade dos moradores da favela. E no Rio de Janeiro a ”voz da favela” se estendeu para todo o canto. Funk é escutado nas boates da Zona Sul, na periferia, nas festas de comemoração e até no carnaval. Os turistas amam funk, e nós também. O som de preto, de favelado que quando toca ninguém fica parado. Nem mesmo os indivíduos que querem pagar de cultos e elitizados na internet.

Os pontos principais das polêmicas envolvendo o #VaiMalandra se resumem ao questionamento se existe ou não mensagem politica, a objetificação da mulher, a glamourização da favela e a bunda da Anitta. E com relação a isso, muitas feministas coletivistas e conservadores estão de mãos dadas.

Eu não chamaria o clipe #VaiMalandra de um objeto de mensagem politica, creio que tenha mais a ver com a parte social, uma conscientização sobre o corpo e sobre a favela.

De inicio, Anitta mostra suas celulites sem medo de ser feliz, em slow motion (câmera lenta). Para quem vive em uma realidade diferente não deve ter entendido, mas para nós, mulheres comuns cariocas que vivemos em uma cultura que cultua ao extremo o corpo, tem sim um real significado. Diante das polêmicas da youtuber conhecida como Boca Rosa e todo o endeusamento de mulheres plasticas e perfeitas, a mulher comum tende a crer que é possível ser daquele jeito, de um jeito que no final das contas, sequer existe. Então sim, para muitas mulheres, ver uma cantora como a Anitta feliz rebolando e mostrando toda sua flacidez e celulite para todo o mundo é uma mensagem. É uma mensagem de que ela é como a gente e tudo bem se tiver celulite. Não tenha vergonha da suas imperfeições, ame-as.

Talvez para muitos o bumbum da Anitta não significa nada. Mas lembrem-se, não é por não significar para vocês que não significa para os outros.

A ideia que as pessoas fora do Rio de Janeiro fazem das favelas cariocas é que se resume a tristeza, pobreza e guerra de tráfico. No clipe, a Anitta retrata uma outra visão da favela, uma visão que já conheci e tenho orgulho disso. A favela das pessoas comuns, pobres porem felizes. A favela da resiliência. A favela da ‘cracudinha’ no bar tocando pagode ou funk enquanto se joga sinuca. A favela da diversidade.

Conservadores, moralistas e feministas coletivistas criticam a objetificação da mulher.. Se vocês pudessem me ver, toda vez que leio sobre isso, entenderiam o real sentido de ‘olhos de caça níquel”.

Qual o problema de usar a sensualidade e o corpo da mulher? Qual o problema de fazer isso com o homem? Músicas de todo o mundo esbanjam sensualidades em clipes e danças desde o primórdio e em 2017 estamos criticando um rebolado de uma funkeira em cima da lage do morro do Vidigal com biquíni de fita isolante? Que vale ressaltar não é apenas comum, mas também abriu um mercado enorme de aluguel de lage. Surpreendente ou não, tem quem ganhe dinheiro com isso. Tão errado assim? Não, não é!

E não meus caros, isso não vende o Brasil errado para os gringos e nem alimenta o trafico sexual. Trafico sexual é bastante comum em países sub-desenvolvidos e não será o tamanho do short da carioca, o seu rebolado ou a sua música que aumentará isso. Não sejam bobinhos! Basta ver os top 10 de países que tem maior índice e notar que o que une eles não é o tamanho da vestimenta e nem a música. O que une é a pobreza.

E feministas, por favor, parem de tentar por as mulheres em suas caixinhas moralistas. Parem de achar que mulheres não podem ser vistas como objetos sexuais e não podem ser sexualizadas (com contexto, é claro). Todo ser humano que tem desejos sexuais, objetifica sexualmente indivíduos que tenham características que os atraia. Eu já cansei de ver fotos e homens na rua e ‘objetifica-los’ e muitos de vocês também.

Em um clipe que tem toda a diversidade retratada da favela de um jeito tão divertido e original, vocês deveriam problematizar a falta do que fazer de cada um que fica perdendo tempo arrumando desculpa para problematizar e escutar um ritmo que não gosta.

No final das contas, essa ideia de objetificação, trafico sexual e afins vem apenas da cabeça suja dos brasileiros. Os gringos adoram. Sobre o corpo exposto? Já estão acostumados com coisas do tipo que está pelo Mundo todo.De Nicki Minaj à Twerk.

Então vamos parar de arrumar carrapato em cão que tomou injeção de Ivermectina.

Sejam menos chatos!
Sejam menos línguas de trapo!

 

Resposta: Sufrágio, educação e feminismo

Pergunte a alguma feminista se elas sabem da maioria das coisas escritas e comprove. É o que Rafael Zuco aconselha no final do seu texto.
Sem título.jpg 
Sendo notório que sou uma feminista, podemos pular as apresentações e responder seus questionamentos. Então já começo a responder o final do texto. Sim, eu conheço tudo o que foi citado e todos os nomes citados. Mas mais do que isso, pois não limito meu conhecimento sobre a história do feminismo em uma visão da superfície.
 
 Zucco acredita que na esmagadora maioria das vezes ele é atacado por ser homem. Mas não é, é pela ideia que propaga e defende. Eu não me importo se és homem, mulher, cis, trans…O que eu vejo é o indivíduo e nesse caso suas opiniões merecem críticas. Se tudo que vê é ataque ao seu sexo, está sendo vitimista. Cuidado para não criticar ações que você mesmo pratica. No mais, você ataca, crítica ou refuta as feministas por elas serem mulheres, não é?!
 
O feminismo consiste em várias vertentes com víeis distintos e apesar dos objetivos serem similares os caminhos são diferentes. Existem feministas que propagam ódio aos homens, muitas sendo levadas por suas líderes que aproveitam a sensibilidade e fraqueza de um momento pós agressão. Isso não é nenhuma novidade e nem ocorre só no feminismo. Mas aconselho conhecer mais feministas e vertentes para poder ser fiel a realidade enquanto crítica. Até mesmo as radicais feministas, que repudiam qualquer interferência masculina em suas pautas, muitas não odeiam homens, convivem e até casam com eles.
 
Concordo com sua crítica sobre a generalização forçada que algumas feministas fazem ao definir que homens são estupradores em potencial. Mas sejamos francos, você também generaliza as feministas em suas críticas e deturpa informações, inventa dados. Não muda tanto assim, mesmas atitudes mesmo resultado.

Também não gosto da frase ”todo homem é um estuprador em potencial”. Mas aqui cabe uma crítica, interprete-a. Quando você não interpreta pode ignorar o termo ”em potencial” e vender a ideia que vendeu no texto, como se essa frase definisse que todo homem seja um estuprador. Na verdade todo indivíduo é um potencial independente do sexo.

 
Palavras têm seus significados para que possamos nos comunicar e cada grupo, país, cultura tem suas gírias. Veja o quão curioso é você criticando gírias de feministas quando você mesmo é usuário de outras gírias. Mas muito do que você chamou de ”dicionário feminazista” são palavras tão antigas que tem inclusive origem grega. Por exemplo, a palavra patriarcado, que é derivada do patriarchês ( pátria = família + archês = governar). A palavra ”miga” tanto utilizado em vários anos de nossas vidas para chamar nossas amigas. Até mesmo o ”male tears” tem o seu par no ”feminist tears”. E assim por diante.
 
Realmente custo a crer se realmente o propósito do seu texto foi criticar gírias e palavras antigas ou era só para inventar um motivo para empregar uma palavra inventada por anti-feministas, em que se trata de duas ideologias que são distintas em toda sua teoria e prática, mas que pessoas como você gostam de juntar para vender algo extremamente negativo.
 
Não nego que existam feministas que busquem segregar a sociedade. O famoso separar para conquistas dos políticos endossando o discurso de recorte de classes. Mas pelo outro lado também existe o mesmo intuito. Seu texto é um exemplo disso, suas posições, as posições da pagina. É muito fácil criticar o oponente, difícil é fazer uma auto-critica.
 
Homens e mulheres são biologicamente diferentes. Dito isso, homens tendem a ser mais agressivos, mas isso de forma alguma deve ser levado como regra. Sobre a questão das características masculinas, creio que cada indivíduo é um ser único e tem suas características conforme sua personalidade e suas escolhas e são livres para isso. Em alguns lugares iriam certamente te ver como um homem menos masculinizado. Mas que diferença isso faz? Qual motivo de definir quem é mais ou menos masculinizado?
 
Você citou que homens morrem mais de homicídios e de latrocínios e apesar de não ter certeza da porcentagem exata, eu concordo. Como não concordar? É dado estatístico nacional, assim como a maioria esmagadora dos perpetrantes também são homens. Esqueceu de mencionar isso.

Mas é importante frisar que o debate sobre o feminismo é relacionado aos crimes com motivação sexista e não qualquer morte por qualquer motivo. Então claramente latrocínios, seja qual sexo a vítima for, não entra nesse debate. Assim como nem todos os homicídios entrarão. Você me lembra uma prima petista que pegava o número de negros(+ pardos) mortos e dizia que todos  eram negros e os crimes eram por racismo. Isso não é nada legal. E a culpa é e sempre será do perpetrante, seja qual sexo ele tiver.

 
Outro ponto curioso do seu discurso é forçar a ideia de classes, ideia tão aprovada e adulada por marxistas. Diminuir a capacidade, a intelectualidade, a luta de um indivíduo na história do Mundo por ser, como você definiu burguês, é bem curioso vindo de alguém que critica tanto a esquerda e o marxismo. Mas engana-se se crê que todas as sufragistas eram ricas e burguesas, faltou muito estudo sobre elas.
 
O Sufrágio
 
Curioso como resume o feminismo em uma única feminista chamada Emmeline Pankhurst. Pankhrst tinha o foco da sua luta em direitos trabalhistas, ela estava inserida na segunda fase da Primeira Onda do feminismo, então imagina minha surpresa ao cita-la sobre o sufrágio. Sua luta foi em meio a Rev. Industrial e irritada com as mortes, prisões e negações, ela resolveu montar um movimento que chamamos de Pluma Branca, na qual ela e suas companheiras distribuíam plumas para meninos e homens para lembrar-lhes que eles devem ir para guerra. Existe uma motivação dentro de seus atos e um livro ou artigo que tenha seriedade e busque a verdade pode mostrar isso. Mas independente disso, muitas feministas ficaram descontentes com seus atos e cortaram relações com ela. Só reconhecem Pankhrst por ter tido um filme dela.
 
Sobre o sufrágio (voto), várias feministas lutaram para que as mulheres fossem vistas como indivíduos na sociedade e era justamente por isso que elas queriam o voto e não só ele, mas direitos iguais aos dos homens podendo se divorciar, trabalhar, estudar e ser um indivíduo produzindo socialmente sem que o patriarca da família tenha que autorizar.

Olympe de Gouves, Mary Wollstonecraft, Nísia Floresta dentre outras eram mulheres que lutavam para que TODOS pudessem ter seu direito ao voto e a liberdade. Eram abolicionistas, indianistas e feministas. E ao contrario do que quis vender, não eram da realeza. No Brasil, podemos também citar Bertha Lutz, Myrthes Gomes, Juvenal Lamartine dentre outros.

 
Estereótipos sempre existiram, mas naquela época era muito mais acentuado. Então acreditava-se que mulheres só serviam para os afazeres domésticos. Apesar disso muitas mulheres na Rev. Industrial tiveram empregos que prejudicava diretamente sua saúde e seus salários – menores do que os dos homens na mesma função – eram pagos aos patriarcas da família.

Mas felizmente o mundo evolui e mulheres aos poucos estão tomando lugares em outras profissões que antes eram vistas masculinas. Hoje podemos ver mulheres pedreiras, eletricistas e até mesmo em minas de carvão na Africa. Estamos deixando estereótipos desnecessários para trás. Mas vale ressaltar que naquela época pessoas morriam até mesmo por gripe, parto, acidentes bobos que hoje podemos medicar e salvar.

 

 

A Educação.
 
Infelizmente já li algumas coisas que você escreveu e sei que não é inocente, então tudo leva a crer que seja preguiçoso ou desonesto, ou os dois.
 
Sobre a educação no Brasil para mulheres, foi sim um feito feminista. De uma feminista chamada Nísia Floresta. Sua história é maravilhosa e seus livros também, então quem tiver o real interesse é só buscar. Ela escreveu em português, inglês e francês.
 
Bom, para que compreenda melhor onde quero chegar, Nísia Floresta foi uma feminista que lutou durante sua vida para que mulheres tivessem as mesmas oportunidades para produzir e crescer intelectualmente que os homens tinham. Naquela época as mulheres que queriam ler sobre vários assuntos e se interessavam sobre ciência e afins, elas só tinham duas soluções: as bibliotecas dos conventos ou as bibliotecas das famílias reais. Tais bibliotecas eram cheios de livros no quais os meninos estudavam. Um exemplo claro dessa diferença é o livro do Rousseau chamado Èmille. Retrata claramente como era e o que era defendido naquela época.
 
Em 15 de Fevereiro de 1838, Nísia Floresta fundou o primeiro Colégio de moças do Brasil sobre forte ataque dos moralistas de plantão. Em homenagem ao seu esposo falecido nomeou-o de Colégio Augusto, e nele ensinava tudo que os meninos aprendiam.
 
Em 1879 existiu um decreto imperial que autorizava todas as mulheres a estudarem e fazerem faculdade. Porém elas enfrentavam as barreiras levantadas pelos colegas de classe e professores e depois de formadas enfrentavam para conseguir exercer a profissão. Foi assim que ocorreu com Rita Lobato que se formou em 1887, foi a primeira mulher eleita vereadora em Rio Pardo, em 1934 e Ermelinda que se formou em 1888 e só conseguiu fazer especialização em ginecologia na Europa após se casar com um ginecologista e começou a realizar partos em meados de 1900. Ambas sofreram na mão de críticos que as rotulavam de ”machonas” endossado inclusive por Silvio Romero.
 
Outro exemplo foi a feminista Myrthes Gomes que se formou em Direito em 1898, mas só conseguiu legitimar-se profissionalmente em 1906.
 
Além de ignorar pontos cruciais da história, se esquece de pesquisar sobre os nomes que citou. Existe inclusive um coletivo de feministas chamado Coletivo Rita Lobato. E todas as supracitadas foram extremamente importantes para o movimento feminista da época.:)
 
Naquela época as pessoas morriam de tudo e com muita facilidade, mas a luta nunca envolveu quem morre mais ou menos, era uma questão de direitos. Os filhos nascidos fora do casamento eram renegados e com respaldo da lei pelos seus pais, as mulheres não tinham direitos não eram vistas como indivíduos e sim como a continuação do homem e ele tinha que decidir por tudo. Uma mulher desquitada ou abandonada não tinha direito nem a ver seus filhos. Enfim uma série de coisas que  era negado as mulheres, pois elas não eram vistas como indivíduo.
 
O feminismo não é uma ideologia que seja em sua origem e teoria para obrigar mulheres. Sempre foi sobre liberdade e escolha. A escolha da mulher decidir sobre seu corpo e sua vida. Querendo ser uma empresária, uma prostituta ou uma dona de casa. Sim, existiam criticas as mulheres que alimentavam essa ideia de total submissão das mulheres aos homens, mas isso qualquer pessoa com bom senso defende. O direito de cada uma escolher e produzir socialmente. Agora se você busca mulheres que querem ser submissas e donas do lar, certamente tem várias. Afinal é o direito delas escolherem o que as façam feliz,  não quer dizer que isso fará todas felizes.
 
1

 

Você detestar o feminismo e querer criticar é um problema seu, mas pelo menos seja honesto e fiel a história do Mundo e pare de cuspir nos mortos que foram de extrema importância para chegar onde chegamos hoje.

Texto do Rafael Zucco: https://goo.gl/QGx9WY

Links:
Nisia: http://educacaointegral.org.br/reportagens/nisia-floresta/
https://goo.gl/KKCFFz
https://tokdehistoria.com.br/tag/colegio-augusto/

Myrthes Gomes: https://goo.gl/6tQnas

Rita Lobato: https://goo.gl/wzXU87
https://goo.gl/K9wEKH
https://goo.gl/49diHh

Ermelina: https://goo.gl/7ethUR

Decreto Imperial: https://goo.gl/jqZPKW

Tempos modernos, ou não.

Começo a crer que não há sentido na existência e na esperança de um futuro. Isso se deve a essa onda assustadora de fanatismo e ignorância que estamos vivendo. Um pouco da culpa vem da internet, afinal ela surgiu de uma forma tão rápida e forte em nossas vidas que não nos adaptamos e muitos acabam não sabendo como usa-la. Escondem-se em telas de computadores, compartilham noticias falsas, atacam pessoas. Mas a maior culpa disso se concentra nos usuários, nas pessoas que não querem evoluir, se informar, e que limitam tudo que estamos enfrentando com uma visão binária da política em uma eterna guerra entre esquerda x direita.

A política brasileira alimentada pelo retrocesso, ignorância e histeria coletiva, faz vitimas. Acontece que não importa qual a sua ideologia política ou se não tem uma, as pessoas estão usando a desculpa do boicote para camuflar censura. Querem impor o que acreditam aos outros, querem impedir a liberdade dos outros.

Chegamos ao tempo em que uma mãe não pode educar seu filho com uma educação liberal e naturalista. Chegamos ao tempo em que o Prefeito do Rio de Janeiro defende claramente uma espécie de teocracia, ‘’queimando’’ nossa constituição – que já não é das melhores – em cultos dentro da Câmara dos Vereadores e determina qual arte pode ou não pode ser exposta em um Museu. E a tendência é piorar. Propagandas sendo atacadas, artistas sendo atacados, pessoas sendo atacadas. E por quais motivos? Por puro pudismo de uma sociedade doente, saudosa de um tempo que sequer viveu, espreitando o que tem de pior no ser humano.

Não sabem a diferença de ideologia de gênero e questões de gênero. Não sabem diferenciar atos de pedofilia e racismo. Se eu me preocupava com o feminismo mainstream que dizia que um assédio era um estupro, agora definitivamente estou preocupada com o futuro de toda a sociedade ao me encontrar com essa onda de fanatismo e ignorância. Não adianta vir dizer que não é, que defende liberdades e que é contra censura enquanto apoia visões distorcidas e apoia ataques à diversidade.

A defesa da liberdade esta atrelada a defesa da diversidade, pois defender liberdade é defender a liberdade dos outros, mesmo que discorde, mesmo que não compreenda, mesmo que não entenda.

Antigamente as pessoas se limitavam em coletivos e guerreavam para poder sobreviver. Hoje, depois de séculos, nossa sobrevivência não depende mais disso. Depende da diversidade e das diferenças dos indivíduos em sociedade.

E nesses momentos é imprescindível olhar para a história, ela te ensina o quão ruim é o caminho que estamos, como sociedade, tomando.

 

Um problema atual

Estamos vivendo em um momento bastante conturbado. Esse cenário de calamidades e extremismos não vem de hoje. Veio gradualmente tomando conta de nossas famílias, amigos e de nossas mentes. Alimentados por uma política sanguessuga que se nutre do desespero da população.

Não pensem que é apenas uma ideologia, um político ou um partido que permeia essa opressão. São todos. Hoje é muito difícil encontrar algum que de fato possa dar esperanças. Existe uma linha tênue entre o idealista e a tirania. Tudo está tão colérico que muitos estão recorrendo aos extremos e tornando heróis pessoas como Lula e Bolsonaro.

Heróis? Heróis de que? Não precisamos de falsos profetas, precisamos repensar a política. Precisamos respeitar coisas básicas como liberdade e propriedade. Respeitar um todo e não só quando convém. Um copo com 50% de água não é nem nunca será, um copo cheio.

Precisamos repensar, raciocinar e aprender que não devemos, jamais, cercear a liberdade dos outros indivíduos por discordarmos de sua conduta pessoal, sobre seu corpo e sua vida.

Hoje o que é vendido para a população, é que vivemos uma inevitabilidade. Ou seja, vivemos sem alternativas. Você é estatista ou estatista. O que muda entre esses caminhos é simplesmente questões morais e onde querem comprimir a população. Hoje, o que vivemos é um verdadeiro circo de horrores orquestrado por fanáticos, reacionários e extremistas transvestidos de bons samaritanos, sempre preocupados com o próximo, ledo engano.

Quanto mais o tempo passa fica nítido para aqueles que observam com clareza que, mais ano menos ano, mais década menos década, nossa política tem se definido autoritária e simplesmente não há espaço para meio-termo, para racionalizar, para conciliar.

Os últimos acontecimentos político-social-economico, apresenta uma grande ferida, e tal ferida que temos é insanável. Estamos perante — ou já estamos plenamente dentro de — um país em ruínas, destruído por embustes. Mas pouco importa para a maioria que preferem usar antolhos ideológicos e massagear seus egos do que fazer algo de real para as próximas gerações.

Precisamos admitir a hipótese que a libertação falhou, proveniente também pelo próprio pensamento dominante. Aprender a não apenas ler, mas entender a história e tentar não vive-la novamente.

O direito de abortar

Quando o debate é sobre aborto, é defendido a ideia de que existe apenas dois lados: se é contra, ou a favor. E isso dependerá da sua opinião sobre a moralidade da ação. No entanto, existe uma série de questões sobre o assunto. O aborto é apenas a ponta da pirâmide da liberdade sexual.

É possível uma pessoa acreditar que o ato é imoral, mas ser favorável a escolha particular de cada indivíduo, advogando contra a criminalização do ato. Quem é contra a criminalização do aborto, não defende o ato de abortar e sim o direito que o indivíduo tem de decidir sobre seu próprio corpo.

O aborto, em si, não é algo que a mulher possa buscar como se fosse algo benéfico, de fato. E nem que as pessoas possam desejar para outras. Toda a situação que envolve a opção, é uma situação difícil e dolorosa para qualquer mulher.

”Quem só conhece seu próprio lado do problema sabe muito pouco sobre ele.”     John Stuart Mill

Até meados do séc. XIX, o aborto – na maioria das sociedades – não era considerado crime e a opinião popular, em geral, era neutra. Antigamente, o feto era visto como uma parte do corpo feminino e, apesar da interferência das religiões, a gestação, o parto e o aborto  eram considerados assuntos privados das mulheres. Nas sociedades em que o aborto era crime, a defesa era sobre a visão do feto como ‘propriedade do pai’, sendo ele um ‘potencial herdeiro’.

Com o aumento dos grupos de defesa pelos direitos das mulheres, o aborto se transformou em um campo de batalha. As mulheres pressionavam sobre as questões do controle de natalidade e do planejamento familiar, ou seja, do direito de decidir se querem e quando querem ser mães.

No final século XIX vários médicos, religiosos, políticos e filósofos conseguiram aprovar leis que proibiam totalmente a prática do aborto. Surgia um movimento radical contra o aborto e consequentemente contra a liberdade sexual das mulheres, que foram chamados de ”pró-vidas”. Na época saiu uma reportagem no New York Times relatando que o aborto seria ”o mal da época”.

Com o passar dos anos, este assunto vem sendo cada vez mais polêmico e despertado debates acalorados. Tais debates estão envoltos em argumentos morais e religiosos, limitando a questão: ‘Quando nasce a vida?’

O papel da mulher, a visão do feto e da gravidez, os interesses políticos, tudo isso envolve os debates sobre o tema. Afinal, a mulher deve ter seu direito ao seu próprio corpo?

 

Cada ser humano é um fim em si.

Um dos pilares que sustentam o pensamento liberal é a defesa do direito de propriedade. Nós somos, ao menos em prima facie, donos do nosso próprio corpo. O direito de propriedade é o poder de decisão sobre si mesmo e sobre o que possui, inclusive lhe dando o direito de expulsar outros da sua propriedade.

Os indivíduos devem ser soberanos em suas próprias vidas e  ninguém deve ser forçado a sacrificar em benefício dos outros. Cada indivíduo é dono do seu próprio corpo; tendo ele como sua propriedade e o domínio absoluto. Sendo assim, homens e mulheres, devem ter seu direito a auto-propriedade preservado. E indivíduos, grupos e governos não podem violar.

”Se eu não posso reivindicar o sangue que corre nas minhas artérias, então eu não posso ter nenhum direito de propriedade sobre a cadeira que eu uso, como me visto ou um tomate que eu cultivei com meu próprio trabalho. Por que eu deveria? Por que os produtos estendidos do meu trabalho pertencem a mim quando a respiração em meus próprios pulmões não? ”  Wendy McElroy

A ideia de negar o direito de propriedade para indivíduos do sexo feminino, defendendo a tese de que o feto tenha direitos negativos – vida e propriedade – mesmo que esse não seja um indivíduo socialmente, um ser humano completo e autônomo, contradiz a própria premissa de que todos os indivíduos são co-donos de si mesmo. Cada indivíduo é – ou deveria ser – o único dono e legislador de si mesmo. Isto é algo primordial e que deve ser respeitado.

Mesmo que consideremos que o feto tenha direito a sua propriedade, tal direito não pode jamais anular o direito da mulher. O desrespeito a isso implica no uso de coerção para impedir a ação do indivíduo sobre seu próprio corpo e isto viola o direito de auto-propriedade e auto-determinação. Sua negação, leva a contradição.

Sendo assim, é necessário o uso de coerção para determinar e limitar o direito de propriedade e liberdade de uma mulher com relação ao seu desejo de realizar ações sobre seu próprio corpo.

”Ter ou não ter um filho se situa dentro dessa esfera de escolhas existenciais que uma mulher tem que ter o direito de escolher. Uma mulher não é um útero a serviço da sociedade, que deve deixar uma gravidez crescer contra a sua vontade. Porque isso seria a sua funcionalização, seria você violar a autonomia, transformar essa mulher em um meio para a realização de fins que não são os dela, caso ela não esteja desejando ter o filho” – Ministro Barroso.

Quando indivíduos que se rotulam  libertários e defendem que existam leis que criminalizam o aborto, sempre me questiono se eles não vêem o tamanho da incoerência. Além de negar o direito de propriedade da mulher e ignorar que a vida da mulher é esmagadoramente mais relevante, ignoram algumas questões.

Questões como, por exemplo,  vão controlar o corpo da mulher? Vão controlar sua alimentação? O que ela ingere de substâncias e produtos? Alimenta-las? Regular sua vida e suas consultas médicas? Iriam por escutas? Iriam realizar testes contra sua vontade para definir se o aborto foi ou não induzido?  Até onde o controle vai? Qual o limite do direito que essas pessoas acham que têm sobre a propriedade dos outros? Ou ocorrerá a mesma coisa que ocorre hoje?

Em torno de um milhão de mulheres realizam abortos, vão prender todas? Como vão saber se foi aborto induzido ou espontâneo? Vão obriga-las a fazer exames? Como pensam em fazer isso? Escravizando-as?
 

”Na tradição libertária, uma pessoa é um agente moral livre com “único domínio” sobre sua vida. Isso implica o direito de fazer as escolhas consideradas necessárias para uma condição emocional ou psicológica, bem como puramente física. (O direito de controlar o corpo de alguém não tem sentido, sem o direito de controlar como o corpo afeta o resto de si mesmo.) Para interferir com a autodeterminação – a vida, a liberdade e a busca da felicidade– é negar a capacidade humana de agência moral, para tratar uma pessoa como uma coisa. Quando tal interferência ocorre de forma sistemática, nós damos um nome: escravidão.”  Sharon Presley

 

Ética é uma verdade absoluta. Moral, já é uma variável.

A moral se baseia em crenças pessoais, é subjetiva e mutável, podendo guiar apenas atos individuais e não poderá ser usada para impor aos outros por meio de coerção. A ética é atemporal e única, mas a moral é cultural.

O que é certo e o que é errado sobre a questão do aborto? Tais julgamentos são baseados na moralidade do indivíduo e sobre suas escolhas pessoais. E grande parte – se não todos – os argumentos que criminalizam o ato, flutuam e se baseiam em questões morais.

O que é correto ou não de acordo com a minha religião? De acordo com a minha moral? De acordo com o meu aprendizado? O que é correto para minha vida? O fato é que, o que é imoral para você, pode não ser para os outros e com isso chegamos a um impasse. Não podemos criminalizar o que consideramos imoral, só por consideramos assim.

Ron Paul, por exemplo, entra em um espiral de distorções ao induzir que quem defende o direito de propriedade da mulher na questão do aborto, na verdade são defensores da instituição estatal, por de alguma forma defenderem que o Estado tenha o poder de descriminalizar o aborto. Ou seja, devolver a mulher o direito a auto-propriedade que lhe foi tomado ao criminalizar suas escolhas sobre seu corpo. O que vamos ser francos, não faz sentido nenhum a defesa de que os que lutam para a descriminalização, sejam os reais defensores da instituição estatal, muito pelo contrário.

O Estado por meio de coerção estipulou que tal ação é criminosa, tirando o poder de escolha, a liberdade e o direito de propriedade da mulher. Com isso ele restringe a autonomia reprodutiva da mulher, negando seu total controle sobre decisões relacionadas ao seu corpo e sua saúde reprodutiva.

Sendo assim, o Estado de comum acordo com os indivíduos que defendem a criminalização do aborto (anti-aborto), praticam uma coerção reprodutiva, que nada mais é do que o controle de terceiros sobre a propriedade de um indivíduo, no caso, a mulher. O que nem o Estado nem os anti-aborto deveriam ter, é o poder e nem a autoridade sobre a propriedade de outro. Ao defender a criminalização, fere a ética e a defesa da auto-propriedade, tornando assim a mesma volúvel e mutável dependendo do julgamento moral. O que não deixa de ser uma agressão e uma opinião bastante controversa, principalmente no meio liberal.

É imprescindível separar a ética da moral. Quando os anti-aborto querem impor sua moral sobre os outros, definindo o que eles podem ou não fazer sobre sua propriedade, eles não usam apenas argumentos emocionais como também a própria força estatal para manter a criminalização. Sendo assim, Ron Paul se equivoca ao definir que os pró-aborto querem usar meios estatais, quando quem quer proibir e apoia a atual ação do Estado contra a propriedade, são os anti-aborto.

Proibir o aborto é claramente contra os princípios libertários da liberdade individual, da auto-propriedade, da auto-determinação.

 

A vida e o começo

A visão anti-aborto sempre salienta o feto, e não a mãe. Com artigos e fotos banhados em sentimentalismo e apelos à emoção, tornaram o feto o principal e a mãe apenas a coadjuvante da sua própria história. No final, para eles, a mãe não passa de um ”ambiente” passivo. O útero já não pertence mais ao seu corpo, seu direito de propriedade lhe foi negado. Sua existência é apenas para suprir a necessidade de um possível indivíduo.

Nesse cenário, o feto se torna o paciente principal ao ponto de alguns defenderem a cidadania do feto, transformando-o em um indivíduo e reduzindo a mulher em um simples objeto, um receptáculo.

“Ter direito a vida não é garantia de um direito cujo uso lhe seja dado, nem de ter um direito de poder continuar a usar o corpo de outra pessoa – mesmo se a própria vida depender disso.” Judith Thompson

A humanização do embrião/feto é uma tática muito comum vindo dos indivíduos que são a favor da criminalização do aborto. Eles vendem a ideia de que o feto seja uma ”criança/pessoa” legalmente, independente e não como uma entidade cujos interesses são inseparáveis dos das mães.

Em meados de 1980, nos Estados Unidos, chegou-se a defender que óvulos fertilizados e em estado embrionário deveriam ser vistos como pessoas. Que a alimentação de mulheres grávidas deveriam ser rigorosamente observadas, inclusive pelo governo. Soa um pouco absurdos, mas quando nos deparamos com indivíduos que defendem que o aborto seja criminalizado, transferindo o direito de propriedade da mulher para o feto e assim, escravizando-a, é exatamente isso que defendem, mesmo que indiretamente.

Evidente que o feto é vida, tudo é vida. A questão não deve ser onde começa a vida e sim onde o feto deixa de ser um indivíduo em potencial e sobre a propriedade. Esse tipo de argumentação, de onde começa a vida e todo o debate a cerca desse tema, ao meu ver, é desnecessário.

”Um potencial ser humano não é um ser humano de fato; no entanto é uma possibilidade hipotética. Uma característica essencial de ser um indivíduo é ser um ser único. Até o ponto de nascimento, no entanto, o feto não é um ser único. ” Wendy McElroy

O feto deixa de ser um indivíduo em potencial, quando ele tem a capacidade de ser consciente de si mesmo e autônomo. Enquanto estiver dentro do útero, ligado ao cordão umbilical e crescendo e se alimentando pelo corpo da mãe, ele não é um indivíduo social. É um indivíduo a partir do momento que ele nasce e realiza as conexões cerebrais, quando demonstra uma agência moral.

Tais conexões começam a partir da 8ª semana, mas o início do sistema nervoso é a partir da 12ª semana. Na Inglaterra o aborto é legalizado até o 6º mês de gravidez. Estudos determinam que o feto não sente dor e apesar de já existir conexões cerebrais, elas não estão completas. Já no Brasil, o aborto legal, é até o terceiro mês de gestação ou o feto ter um limite de peso de 500g. Consideram isso, para que o risco no qual a mulher passe seja mínimo. Nesse estágio, o feto tem em torno de 7 cm, basicamente do tamanho de um palito de dente.

”Do ponto de vista psicológico, a condição necessária para a racionalidade e a autoconsciência é a capacidade de cognição – isto é, o processo de integração de percepções e sensações em uma organização mental, que por sua vez permite ao indivíduo se envolver em ações intencionais e propositadas . Mas essas faculdades não podem ser manifestadas até depois do nascimento. O processo perceptual necessário para a cognição só pode começar quando o organismo está sujeito a estímulos ambientais externos – isto é, quando há algo a perceber. No útero, um ambiente sensorial estritamente limitado, apenas o nível mais primitivo de sensações e reflexos é possível para o feto. ”  Sharon Presley

O feto é um ser humano em potencial, isso quer dizer que ele não é um individuo social. Em termos éticos, é preciso que ele se manifeste, ou seja, nasça para ter seu direito à auto propriedade.

Quando chegamos a esse ponto do debate conseguimos separar claramente quem deseja levar o debate cordialmente e quem começa a apelar. Desde o exemplo discrepante de expulsar um indivíduo de um avião voando até mesmo induzindo que o ato seja assassinato e chamando o feto de criança.

Vale salientar que o embrião só se torna feto aos 2 meses. E o feto de 3 meses tem em sua estrutura corporal, um pulmão primitivo e pouco desenvolvimento ósseo e do sistema nervoso. Cientificamente, é absurdo chama-lo de criança.

“Outro argumento dos anti-aborcionistas é que o feto é um ser humano vivo e, por isso, é dotado de todos os direitos dos seres humanos. Muito bem; vamos admitir, apenas para dar seguimento à argumentação, que os fetos são seres humanos – ou, de um modo mais geral, potenciais seres humanos – e são, por conseguinte, dotados da totalidade dos direitos humanos. Mas, podemos perguntar, que humanos possuem o direito de ser parasitas coercivos dentro do corpo de um hospedeiro humano relutante? Obviamente, nenhum humano que já nasceu tem tal direito e, portanto, a fortiori, o feto também não pode ter tal direito.” Murray N. Rothbard

Sendo ele um potencial ser humano, é correto defender que ele tenha os mesmos direitos de um ser humano completo? Se nenhum humano tem direito de intervir na propriedade de outro humano já nascido, então porque o feto, que nem nasceu ainda teria tal direito?

 

Meu corpo, minha propriedade, minhas regras.

Não há dúvida de que a gravidez é uma situação que põe em risco a vida da mulher. Incontáveis mulheres morreram ao longo dos anos devido a complicações causadas pela gravidez, e enquanto avanços médicos fizeram isso muito menos frequente, a ameaça não foi eliminada.

“A vontade da mãe é inalienável e ela não pode ser legitimamente escravizada a carregar e ter um bebê contra sua vontade.” Rothbard 

Independente da sua posição, o aborto nunca pode ser uma questão para o Estado e nem sobre leis.  Deve ser respeitado o direito de escolha das partes envolvidas diretamente, no caso a mãe e talvez o pai. Assim como Hans Hoppe defendeu.

Esses assuntos são tratados nos seios das famílias, a pressão é gerada sobre a mulher – e qualquer decisão deve ser respeitada, pois é feita por aquelas pessoas que são direta ou indiretamente afetados por ela.

O argumento de que a mulher teria um ”contrato” a partir do ato sexual, é risível. Um contrato prévio entre indivíduos, como se dá nos exemplos do avião ou carro, em que a pessoa não pode ser jogada para fora do transporte em movimento, é completamente distinta ao aborto. A grande diferença esta em que tais pessoas estão em condição de firmar um contrato.

“O ponto crucial da teoria libertária é a inalienabilidade da vontade e, portanto, a impossibilidade de se forçar contratos voluntários a escravidão. Então, mesmo se tivesse sido firmado um “contrato”, ele não poderia ser executado porque a vontade da mãe é inalienável e ela não pode ser legitimamente escravizada a carregar e ter um bebê contra sua vontade”    Rothbard

No caso do aborto, não existe a menor possibilidade da existência de um contrato, já que o feto dificilmente poderia ser uma entidade contratante, voluntária e consciente. Antes da concepção o feto não existia, isso impossibilita qualquer teoria do contrato, afinal de contas, o mesmo não estava em estado de completa independência antes do fato ocorrido.

Alguns usam a ética contratualista induzindo que o contrato seja entre o homem e a mulher. Ainda sim é um erro crasso argumentar desta forma. Mesmo crendo nisto e ignorando  a questão da escravidão supracitada, quando as partes estão de acordo sobre o aborto, a pratica não poderia ser vista como quebra de contrato de uma das partes. Isso quer dizer que caso haja uma lei criminalizando o aborto, entraria em atrito e contradição.

As mulheres podem concordar com restrições sobre o aborto em um contrato de casamento. No entanto, seu direito à autodeterminação significa que elas não podem ser escravas desse contrato e podem deixar um relacionamento para realizar um aborto. Além disso, um indivíduo não pode ser obrigado a cumprir um contrato oneroso que os torne um escravo.

Nossa sociedade foi moldada por uma mentalidade religiosa e com isso surge a posição de muitos defenderem que o aborto seria assassinato. É um argumento que não cabe nem eticamente, muito menos juridicamente.

É pelo corpo da mulher que o feto recebe oxigênio e nutrientes. A mulher gravida tem uma série de restrições, desde alimentação até exercícios. Muitas acabam adquirindo doenças como, pressão alta e diabete. Além disso, toda a mudança corporal, dores na coluna e dificuldade de respirar, algumas podem vir ao óbito. Sendo assim, é absurdo tentar legislar sobre o corpo da mulher, decidindo por ela manter ou não uma gestação.

”Minha liberdade de expressão não anula a sua. Se tais direitos entram em conflito, então significa que não podem ser universais; isto é, não poderiam ser possuídos de forma igual por todos. Presumir que o feto é um indivíduo com direitos coloca-o em conflito com o direito que a mulher grávida tem sobre seu próprio corpo. Essa presunção torna-se uma falácia lógica ao eliminar a harmonia natural dos interesses os quais os direitos individuais dependem para a sua validade. ”  Wendy McElroy

Autonomia reprodutiva, direito à sua saúde, integridade física e psicológica são direitos fundamentais violados com a criminalização do aborto. O fato é que nenhuma lei deve intervir na decisão sobre a propriedade de um individuo, nenhuma lei nem o governo deve ter controle e voz na integridade corporal de um indivíduo.

A maternidade não pode ser condicionada a um indivíduo só por ser mulher. É lamentável confundir questões religiosas e morais com direitos constitucionais. É um equivoco enorme, e temos vivenciado isso o tempo todo. A gravidez não pode ser considerada castigo, você não pode obrigar uma pessoa a ser pai ou mãe. Requer muita responsabilidade e obrigar uma mulher a ter uma gravidez indesejada, colocando inclusive sua saúde em risco, é escravidão.

 

O legado do movimento anti-aborto

Todas as questões femininas são afetadas pela maternidade, e por isso a liberdade reprodutiva sempre foi assunto entre os ativistas dos direitos das mulheres e consequentemente o principal alvo dos contrários. Sendo assim, qualquer esforço das mulheres controlarem sua fertilidade, é uma afronta para alguns indivíduos de oposição.

Quanto maior é a busca pela liberdade reprodutiva, mais as campanhas anti-aborto crescem. Alguns propõe criminalizar o aborto até mesmo em casos de estupro e quando a vida da mulher corre perigo. Outrora, ouvi de uma ativista ”pró-vida” de que ninguém tem o direito de decidir quem vive e quem morre, então se a mulher tiver problemas e risco de morte na gravidez, ela deve manter a mesma e torcer para não morrer. De fato um absurdo.

Outros exigem que a mulher deve ter permissão paterna para realizar o procedimento. No final, todos acabam se tornando indivíduos anti-liberdade e castram o direito da mulher ao seu próprio corpo.

Esta cruzada contra o aborto, ao longo das décadas, diminuí as escolhas reprodutivas das mulheres, uma vez que interrompeu várias pesquisas sobre o controle de natalidade. Nos EUA, 1977 até 1989, várias clínicas de planejamento familiar foram incendiadas e/ou bombardeadas. Alguns desses atos foram durante o horário de trabalho. Várias ameaças de ataques, depredações e invasões ocorreram. Conseguindo assim interromper várias pesquisas federais e particulares sobre o controle de natalidade, reduzindo as opções das mulheres.

A face deste movimento em que branda tanta preocupação com a vida, na verdade é falsa. A desculpa de se preocupar com a vida do feto, camufla o desejo autoritário de impor sua opinião moral na vida de outras pessoas. Sem considerar que muitas dessas mulheres que hoje chamam outras mulheres de ”assassinas”, já passaram por esse procedimento.

 

Aborto no Brasil

No Brasil, a questão do aborto é uma enorme hipocrisia. O aborto é livre para aquelas que tem recursos financeiros. Existem várias clinicas e hospitais que fazem o procedimento por R$6-8 mil reais. Mas para mulheres pobres, que em maioria são vítimas de estupro de homens próximos, até mesmo com parentesco, a realidade é bem diferente.

Aborto é a 5ª causa de mortalidade no Brasil. Cerca de 800 mil mulheres praticam abortos todos os anos. Dessas, 200 mil recorrem ao SUS para tratar as sequelas de procedimentos mal feitos com medicamentos em casa ou em lugares que realizam o procedimento por um custo baixo. Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), a situação pode ser ainda mais alarmante: o número de abortos pode ultrapassar um milhão de mulheres.

Apesar do número alto de cerca de 800 mil mulheres que recorrem a prática do aborto, muitas nem sabem do seu direito. Mulheres no interior, em geral, são cerceadas do seu direito. Exemplos de mulheres que são assistidas por ONGs que se rotulam ”pró-vida’. Tais ONGs convencem vítimas de estupro não buscarem seus direitos ao aborto legal, dizendo que não tem mais tempo ou que elas não vão conseguir. Muitas colocam até advogados para convencer essas mulheres de que elas não tem direitos legais. Fazendo com que essas mulheres acreditem que só existe o caminho de manter a gestação proveniente de uma agressão sexual.

Vulneráveis e desesperadas, acabam se tornando vítimas novamente, sendo cerceadas do seu poder de decisão. Sofrem com a agressão sexual, sofrem por descobrir a gravidez, muitas tem medo de denunciar e acabam sendo obrigadas a fugir e por final devem seguir com uma gravidez indesejada por causa das mentiras e distorções contadas por essas ONGs. Cerceiam o direito de escolha das mulheres. Os que se chamam ”pró-vidas” muitas vezes mostram a face do ”pró-morte”.

Muitas moças que buscam instituições de saúde para realizar o aborto legal, no qual é direito prescrito na lei, são indicadas para buscar na justiça uma autorização judicial e o Boletim de Ocorrência. Tais documentos são irrelevantes para que possa realizar o procedimento. Contudo, os médicos continuam indicando-os, muitos com medo de retaliação e represália, como foi o caso da equipe médica  que não apenas foi excomungada por um Arcebispo da época, como o mesmo ainda se achou no direito de processa-los. Fora isso, muitos são atacados, perseguidos e ameaçados por indivíduos que são contra o procedimento e se rotulam a favor da vida e da paz. Mas afinal, que vida e que paz?!

As mulheres têm milhões de motivos para que decidam adiar a gravidez. Não existe precedente em nenhum local desse mundo em que as mulheres acham ”divertido” engravidar para ter o ”prazer” de realizar um aborto. Nenhuma mulher quer experimentar uma gravidez indesejada e depois as dores terríveis, arriscando sua própria vida em um procedimento tão agressivo como o aborto.

Um fato muitas vezes esquecido é que grande parte das mulheres que buscam o aborto, são muitas vezes obrigadas e ameaçadas por seus pares e familiares. Muitas são estupradas, muitas são menores de idade. E grande parte delas, são esquecidas por aqueles que tanto brandam o ”amor à vida”.

Os casos de mulheres que são obrigadas a realizar o procedimento e morrem em clinicas de aborto clandestina é alarmante. Até mesmo aquelas que escolhem por vontade própria e não tem recursos para ir a uma boa clinica, acabam nas filas de emergência do SUS entre a vida e a morte. Isso quer dizer, que legalizando ou não o aborto, ainda sim o dinheiro do ”contribuinte” é gasto nele. A grande diferença é que o gasto para salvar a vida de uma mulher é superior ao de um abortamento e as clinicas clandestinas não seriam mais clandestinas podendo assim responder pelos erros e mortes das mulheres.

Enquanto os anti-abortos estão mais preocupados em de forma autoritária castrar o direito da mulher e impor sua moral sobre, quanto mais se manifestam contra os direitos reprodutivos em incansáveis propagandas, perseguições e aos berros com palavras de ordem, mais o número de abortos entre mulheres jovens e pobres aumentam. Uma vez que falta a iniciativa, o controle de natalidade e as informações sobre sua liberdade sexual, empoderamento e escolhas são limitadas e ignoradas, cada vez mais surgem casos de gravidez indesejada. E isso leva, muitas vezes, ao aborto. Mas é importante frisar, que muitas dessas mulheres jovens acabam escolhendo por imposição dos seus pares ou dos seus país.

Juliana Schettino
Libertária e Feminista

Links:

– A ética Libertária – Rothbard

– Backlash – Susan Faludi

– Opinião da Sharon Presley
https://goo.gl/6b297h

– Opinião da Wendy McElroy
https://goo.gl/KLRMeC

– Arcebispo excumunga médicos e parentes.
https://goo.gl/L9kpvH

– 8 mitos sobre o aborto
https://goo.gl/NDmwMM

– Hans Hoppe sobre Aborto

– Profissão Repórter – Aborto

– Documentário – O aborto dos outros